Uma nova terapêutica pode vir a combater a dependência de drogas

Estudo publicado na revista “Journal of Medicinal Chemistry”

04 julho 2018
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Um novo medicamento pode ajudar a reverter os desequilíbrios químicos no cérebro causados pelo uso frequente de drogas e ajudar os toxicodependentes em recuperação a evitar o seu consumo.
 
Investigadores do Departamento Médico da Universidade do Texas desenvolveram um novo medicamento que foi testado em ratinhos e demonstrou uma boa eficácia na redução dos seus desejos e ansiedade.
 
A composição química do cérebro das pessoas que se drogam é alterada de uma forma que torna mais difícil que elas consigam deixar de se drogar. Quando alguém desenvolve este tipo de distúrbio, a sua mente presta mais atenção aos sinais que encorajam o consumo de drogas, tornando mais difícil a abstenção.
 
A serotonina, um químico do cérebro que transmite informações entre as regiões neuronais, é um elemento fundamental nestas alterações.
 
A equipa de investigadores, liderada pelos professores de farmacologia e toxicologia Jia Zhou e Kathryn Cunningham, descobriu que os recetores 2c da serotonina dos toxicodependentes não funcionam tão bem como deveriam. Eles conceberam, sintetizaram e avaliaram farmacologicamente uma série de pequenas moléculas terapêuticas desenhadas para restaurar a sinalização enfraquecida.
 
Os ratinhos foram treinados para, em resposta a determinados sinais de luz, pressionar uma alavanca que lhes fornecia uma infusão de cocaína. Depois de terem aprendido este comportamento de procura de cocaína, a metade dos ratos foi administrado o novo medicamento enquanto a outra metade recebeu apenas soro fisiológico.
 
Os animais que receberam o novo medicamento pressionaram a alavanca da cocaína muito menos vezes do que os do grupo do soro fisiológico, mesmo quando era posto em ação o mecanismo de sinalização associado à cocaína.
 
Kathryn Cunningham salienta que “os nossos resultados são empolgantes porque, para além de podermos vir no futuro a ajudar os toxicodependentes a perder o vício, o funcionamento defeituoso do recetor 2c da serotonina também parece contribuir para outros problemas de saúde crónicos, como depressão, distúrbios de impulsividade, obesidade e esquizofrenia.” 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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