Tomar ou não aspirina para reduzir o risco de primeiro ataque cardíaco?

Estudo publicado na revista “The Lancet”

31 agosto 2018
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Um estudo recente não conseguiu determinar se as pessoas com risco moderado de sofrerem um primeiro ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC) deverão tomar uma aspirina diariamente como prevenção.
 
O estudo, conhecido como ARRIVE, foi conduzido por uma equipa de investigadores liderados por Michael Gaziano do Hospital Brigham and Women’s, em Boston, EUA e teve como objetivo avaliar o efeito da toma de uma aspirina diária sobre o risco de ataques cardíacos, AVC ou hemorragias em pessoas com risco moderado daqueles eventos (risco de 20-30% em 10 anos).
 
Para o estudo, os investigadores recrutaram 12.546 pessoas, com uma mediana de idades de 63,9 anos e sem historial de eventos cardiovasculares, de várias instituições de cuidados de saúde primários em Espanha, Irlanda, Itália, Alemanha, Polónia e EUA. 
 
Todos os participantes apresentavam pelo menos dois fatores de risco cardiovascular como fumar, colesterol elevado e hipertensão.
 
Os participantes foram divididos em dois grupos de forma aleatória. Um dos grupos recebeu uma aspirina diária de 100 mg e o outro grupo recebeu um placebo. Os participantes foram monitorizados durante 60 meses relativamente à incidência, pela primeira vez, de AVC, enfarte do miocárdio, angina instável, ataque isquémico transitório e morte cardiovascular. 
 
A incidência de eventos cardiovasculares foi de 4,29% (269 pessoas) no grupo da aspirina, contra 4,48% no grupo do placebo (281 participantes). No grupo da aspirina ocorreram mais hemorragias, como se esperava.
 
“A aspirina não reduziu a ocorrência de eventos cardiovasculares importantes neste estudo. No entanto, houve menos eventos do que se esperava, o que sugere que esta era com efeito uma população de baixo risco. Isto pode ter sido porque alguns participantes estavam a tomar medicações para baixar a tensão arterial e os lípidos, o que os protege de doenças”. 
 
Os autores recomendam que a toma da aspirina seja decidida em conjunto com o médico, e considerando todos os benefícios e também riscos com a toma do fármaco.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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