Situação das maternidades "é muito mais grave" do que tem sido falado

Considerações da Ordem dos Médicos

27 junho 2019
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O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) disse que a situação das maternidades é “muito mais grave e complexa” do que tem vindo a ser falado, noticiou a agência Lusa.
 
“A situação é muito mais grave e mais complexa do que aquilo que tem vindo a ser falado. Todas as maternidades têm dificuldades, quase todas dependem da contratação externa para poderem assegurar os turnos de serviço de urgência, o apoio ao bloco de partos, etc.”, disse Miguel Guimarães.
 
Segundo o bastonário da OM, todas as maternidades estão com “imensas dificuldades” e com “uma falta de especialistas grande”.
 
No total, são necessários em todo o país 150 especialistas em ginecologia e obstetrícia, dos quais 125 na região sul.
 
Como resposta imediata para o problema, Miguel Guimarães defendeu “uma política de contratação pública que funcione da mesma forma que funciona a contratação externa, seja para os médicos especialistas tarefeiros seja para os médicos do próprio hospital que poderão fazer mais horas extraordinárias, mas remuneradas de forma diferente”.
 
O Presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, defendeu, por seu turno, que “a lei tem de ser mudada e alterada” para permitir que os hospitais tenham forma de reter os profissionais.
 
O responsável salientou que as maternidades mais periféricas, como as de Portalegre e de Beja, dependem “90 a 100% de médicos tarefeiros nas equipas de urgência” porque os seus médicos, que “são quatro ou cinco”, têm mais de 60 anos.
 
“O que acontece é que muitos destes tarefeiros circulam de hospital em hospital a fazer horas suplementares pagas a um preço superior que podiam ser investidos no seu próprio trabalho a fazer urgências suplementares nos próprios hospitais”, contou Alexandre Valentim Lourenço.
 
Questionado se é necessário formar mais especialistas, Alexandre Valentim Lourenço afirmou que não, justificando que são formados “mais do que é necessário”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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