Ressonância magnética poderá um dia prognosticar demência

Estudo apresentado no Congresso da Sociedade Radiológica da América do Norte

23 novembro 2018
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Uma equipa de investigadores considera que um dia será possível prever se as pessoas de idade mais avançada irão desenvolver demência.
 
Num estudo conduzido por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, e da Universidade da Califórnia, ambas nos EUA, o uso de imagem por ressonância magnética permitiu identificar alterações no cérebro antes de os sintomas de demência se evidenciarem.
 
Para o estudo, a equipa empregou uma técnica de ressonância magnética conhecida como imagem por tensor de difusão para avaliar a substância branca do cérebro, incluindo as regiões que permitem o contacto entre várias partes do cérebro.
 
“A imagem por tensor de difusão é uma forma de medir o movimento das moléculas de água nos canais da substância branca”, explicou Cyrus Raji, investigador que liderou o estudo, da Universidade de Washington. “Se as moléculas de água não se movimentarem normalmente, isso sugere danos implícitos nos canais brancos que podem indicar problemas com a cognição”, disse.
 
A equipa identificou 10 pessoas cujas competências cognitivas tinham-se degradado no espaço de dois anos e compararam-nas com outras 10, da mesma idade e sexo, cujas competências de raciocínio permaneciam normais. A mediana de idades de todos os participantes era de 73 anos. 
 
Os investigadores analisaram imagens por tensor de difusão, efetuadas antes do período de dois anos, às 20 pessoas. Foi observado que os participantes com declínio cognitivo apresentavam substancialmente mais sinais de danos na substância branca. 
 
A análise foi posteriormente efetuada a outra amostra com 61 pessoas, mas com uma medição mais refinada da integridade da substância branca. Esta nova análise revelou uma exatidão de 89% ao cérebro inteiro. A análise a partes específicas do cérebro que poderiam apresentar danos, deu uma exatidão de 95%.
 
“Demonstrámos que um único exame de ressonância magnética poderá prever a demência, em média 2,6 anos antes de se detetar clinicamente perdas de memória, o que poderá ajudar os médicos a aconselharem e cuidarem dos seus pacientes”, confirmou Cyrus Raji.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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