Psiquiatria do Hospital de Santarém abre oficinas de arte na cidade

Projeto tem como objetivo promover a inclusão

10 janeiro 2017
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Pacientes com doença mental aprendem a desenhar e a pintar, estas atividades estão inseridas num projeto que trabalha o crescimento pessoal através da criatividade e a inclusão na comunidade.
 

O projeto, do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santarém (HDS) permite que os utentes, com doença mental grave, se insiram em grupos que integram igualmente pessoas referenciadas por exclusão social pela Santa Casa da Misericórdia e membros da comunidade, para frequentarem, duas vezes por semana, uma “oficina artística” orientada pelo jovem artista plástico e estudante de psicologia João Maria Ferreira.
 

A criação destes grupos – um a funcionar desde o início de dezembro de 2016 até ao final de maio e outro a partir de junho até ao fim de novembro deste ano – constituiu um “passo à frente” no trabalho que o serviço tem desenvolvido no sentido da inclusão e da redução do estigma.
 

“Nos últimos anos, todos os nossos trabalhos, todos os nossos projetos, procuram abrir portas para a comunidade. Sair do hospital e deslocar para a comunidade. O que é inovador neste projeto é que não é só formado por pessoas com doença mental”, disse à agência Lusa Ana Mendes, psicóloga da equipa do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santarém.
 

A ideia de que a experiência “está a ser boa” e que ajuda a “ocupar o tempo” é partilhada por utentes como Manuela da Conceição, que tem na pintura uma “paixão” e que se esforça por gostar de desenho, como Rodrigo Rodrigues, antigo estudante de artes com o sonho de ser arquiteto, que leva daqui “mais conhecimentos” para os desenhos e pinturas que vai fazendo em casa, ou como Luísa Ferreira, que dá os primeiros passos numa arte de que sabe “muito pouco”.
 

João Maria Ferreira criou um “diário de bordo”, o blogue “A Caverna da Andorinha”, onde vai mostrando os desenhos dos alunos e narrando as vivências de um desafio que lhe foi lançado no verão de 2016 e no qual embarcou sem esconder o nervosismo perante “tamanha responsabilidade” mas com uma vontade enorme de mostrar que a “paixão por rabiscos pode tocar a todos, sobretudo aos que procuram um refúgio para a alma, às vezes tão fragmentada”.
 

Além das aulas num “espaço emblemático” cedido pela autarquia, dentro do Convento de S. Francisco, estão previstas ações em vários lugares públicos com convite à participação da comunidade.
 

“Estamos a conseguir ir mais longe na nossa ambição pela inclusão e de tirar as pessoas com doença do hospital”, sublinhou Ana Mendes.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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