Porque é que a privação de sono prejudica o coração?

Estudo publicado na revista “Experimental Physiology”

24 maio 2019
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Um novo estudo demonstrou que as pessoas que dormem menos de sete horas por noite apresentam níveis reduzidos de moléculas reguladoras de genes, ou seja, microRNA que ajudam a reduzir a inflamação nas células e suportam a saúde vascular.
 
Vários estudos demonstraram já que as pessoas que não dormem as horas suficientes correm um maior risco de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e de ataques cardíacos.
 
Para este estudo, uma equipa de investigadores da Universidade de Colorado Boulder, EUA, propôs-se analisar o impacto do sono insuficiente sobre os níveis de microRNA circulante.
 
A equipa contou com 24 voluntários de ambos os sexos com idades entre os 44 e os 62 anos que facultaram amostras de sangue e responderam a questionários relacionados com os seus hábitos de sono. Foi ainda medida a expressão de nove microRNA associadas à inflamação, função imunitária e saúde vascular.
 
Foi apurado que metade dos participantes dormia entre 7 e 8,5 horas de sono por noite; a outra metade dormia entre 5 e 6,8 horas por noite.
 
Os investigadores descobriram que os voluntários que não dormiam as horas suficientes apresentavam níveis circulantes de miR-125A, miR-126 e miR-146 40 (supressores da inflamação) 60% inferiores aos dos voluntários que dormiam as horas de sono suficientes. 
 
“A razão pela qual 7 ou 8 horas parecem ser o número mágico não é clara”, comentou Christopher DeSouza, autor sénior do estudo. “Porém, é plausível que as pessoas necessitem de pelo menos sete horas de sono por noite para manterem níveis de reguladores fisiológicos importantes, como microRNA”, continuou o investigador.
 
O investigador admitiu que os níveis de microRNA no sangue possam vir a ser usados como marcadores de doenças cardiovasculares em pessoas com sono insuficiente, permitindo aos médicos aferir informação importante a partir de uma análise ao sangue, em vez dos exames atuais que são mais invasivos.
 
Christopher DeSouza concluiu que a mensagem deste estudo é que não se deve subestimar a importância de uma boa noite de sono.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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