Pacientes com esclerose múltipla correm maior risco de cancro

Estudo apresentado no Congresso da Academia Europeia de Neurologia

03 julho 2019
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Os pacientes com esclerose múltipla (EM) poderão apresentar um risco mais elevado de desenvolverem cancro do que a população em geral, sugerem os resultados de um estudo.
 
Baseado nos registos clínicos de 6.935 pacientes noruegueses com EM nascidos entre 1930 e 1979, o estudo foi o primeiro a comparar a incidência de cancro entre pacientes com aquela doença neurológica e irmãos não afetados pela mesma.
 
“Este estudo foi o primeiro a comparar o risco de cancro na EM com irmãos não afetados de pacientes com EM. A avaliação do risco entre estes dois grupos é extremamente interessante porque partilham os mesmos genes e condições ambientais”, afirmou Nina Grytten do Hospital Universitário de Haukeland, em Bergen, Noruega, e investigadora que liderou o estudo.
 
Os investigadores contaram ainda com dados de 8.918 irmãos sem EM e de 38.055 indivíduos da população geral sem a doença. Os participantes foram seguidos durante um período de 58 anos.
 
Como resultado, foi observado um aumento de 66% no risco de cancro respiratório nos pacientes com EM. Os pacientes com EM apresentavam ainda um risco 52% mais elevado de cancro nos órgãos do sistema nervoso central, 51% no cancro urinário e 14% no risco de cancro em geral.
 
Os investigadores detetaram ainda que os irmãos de pacientes com EM que não tinham a doença apresentavam um risco mais elevado de cancro hematológico (que inclui o mieloma, linfoma e leucemia), em relação aos pacientes com EM e à população em geral. 
 
Segundo a equipa, este último achado poderá significar que a EM e o cancro hematológico possuem a mesma etiologia, uma hipótese que se se revelar verdade poderá ser importante em futuros tratamentos da EM e na prevenção de ambas as doenças. 
 
Nina Grytten conclui que “esta investigação sugere a necessidade de uma maior consciencialização sobre o risco de cancro entre os pacientes com EM, que poderá conduzir a um diagnóstico mais rápido do cancro e a um tratamento mais eficaz de forma a melhorar os resultados e sobrevivência”.
 
A investigação indicou ainda que os pacientes com EM apresentam uma longevidade sete anos menor, em média, do que o resto da população.  
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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