Ordem dos Farmacêuticos contra legalização da canábis para consumo recreativo

A sociedade “não precisa de mais um fardo"

21 janeiro 2019
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A Ordem dos Farmacêuticos (OF) deu parecer negativo sobre os projetos de lei de legalização da canábis para uso recreativo, considerando que assentam em pressupostos incorretos e generalistas e transmitem um sinal errado à sociedade.
 
“A ordem entende que ambas as iniciativas legislativas assentam em pressupostos incorretos e generalistas e transmitem um sinal errado à sociedade, que não necessita de mais um fardo para a Saúde Pública”, refere o parecer.
 
Sublinha que “os relatórios disponíveis na literatura sobre experiências internacionais semelhantes demonstram um agravamento significativo dos fatores relacionados com o tráfico e com a saúde pública”.
 
Para os farmacêuticos “os pressupostos dos projetos de lei, que na sua maioria carecem de comprovação científica, poderiam literalmente ser aplicados a qualquer droga, além da canábis”. 
 
“O único argumento que poderia estar subjacente à legalização da canábis, e não de todas as outras drogas, como por exemplo a cocaína, a heroína ou as anfetaminas, seria o da sua hipotética inocuidade, não constituindo assim uma ameaça para a saúde pública”, continua. 
 
“Esta hipótese é nula, tendo em conta o elevado potencial de toxicidade da canábis e dos seus produtos psicotrópicos, já referido no parecer anterior da Ordem dos Farmacêuticos sobre a utilização de canábis para efeitos terapêuticos”, adianta.
 
Segundo o parecer, estas duas substâncias psicotrópicas são dois bons exemplos de que, uma vez incorporadas e normalizadas nos hábitos das sociedades, é muito difícil ou mesmo impossível proceder à sua eliminação ou mesmo à redução de riscos para os adultos, adolescentes e crianças.
 
A concluir, a OF corrobora a posição da Federação Internacional Farmacêutica (FIP), “opondo-se, determinantemente, à venda da canábis para fins recreativos nas farmácias”.
 
“As farmácias são espaços de saúde, de prevenção da doença, cuja atividade em nada se coaduna com a comercialização de produtos nocivos para a saúde como o álcool, o tabaco ou outros produtos utilizados para outros fins que não a promoção de saúde”, afirma.
 
A OF conclui que “a venda de canábis para fins recreativos nas farmácias legitimará a sua utilização para fins de saúde e terapêuticos, escamoteando, irresponsavelmente, os efeitos nefastos atrás descritos”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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