O que desencadeia as doenças crónicas?

Estudo publicado na revista “Mitochondrion”

13 setembro 2018
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Um novo modelo defende que erros na comunicação celular bloqueiam o ciclo natural de recuperação, o que pode provocar a persistência de doenças como cancro, diabetes e neurológicas, sugeriu um estudo.
 
“O processo de recuperação é um círculo dinâmico que começa com a lesão e acaba com a recuperação. As características metabólicas deste processo são universais”, afirmou Robert Naviaux da Universidade da Califórnia em San Diego, EUA.
 
“Provas científicas recentes demonstram que a maior parte das doenças crónicas são causadas pela reação biológica a uma lesão, não a lesão inicial ou o agente da lesão. A doença ocorre porque o organismo é incapaz de completar o processo de recuperação”, explicou. 
 
A medicina ocidental é, no entanto, baseada no tratamento das lesões físicas resultantes das infeções, desde um osso partido a ataques de asma. Robert Naviaux considera que as doenças crónicas são essencialmente a consequência de um bloqueio no ciclo natural de recuperação, a nível metabólico e celular.
 
O especialista exemplifica a sua teoria com o melanoma, que pode ser causado pela exposição solar ocorrida várias décadas antes, tendo danificado ADN que nunca foi reparado. Uma concussão ocorrida depois de uma anterior, normalmente resulta em sintomas piores e numa recuperação mais lenta, mesmo que tenha sido mais leve que a anterior.
 
“As doenças crónicas surgem quando as células entram num ciclo repetitivo de recuperação incompleta e de repetição da lesão, incapazes de recuperarem totalmente. Esta biologia encontra-se na base de virtualmente todas as doenças crónicas conhecidas, incluindo a suscetibilidade para infeções recorrentes, doenças autoimunes como artrite reumatoide, doença diabética cardíaca e renal, asma (…) Alzheimer, cancro e espetro do autismo”, disse Robert Naviaux.
 
Num pequeno ensaio randomizado conduzido em 2017 pelo investigador e equipa, 10 rapazes com autismos foram tratados com uma dose de um fármaco centenário que inibe o trifosfato de adenosina (ATP). O ATP é uma pequena molécula produzida pelas mitocôndrias celulares que assinala a iminência de perigo. 
 
A inibição da sinalização do ATP provocou melhorias significativas nos comportamentos comunicativos e sociais dos participantes. Com efeito, os rapazes começaram a conversar, a estabelecer contacto visual e a deixarem de fazer movimentos repetitivos. No entanto, à medida que o fármaco deixou o organismo, os benefícios desapareceram. 
 
Os investigadores estão atualmente a preparar um outro ensaio para 2019 que contará com mais participantes e terá uma maior duração.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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