O período reprodutivo das mulheres pode ser prolongado?

Estudo publicado na revista “Current Biology”

27 fevereiro 2018
  |  Partilhar:
Uma equipa de investigadores descobriu um mecanismo de prolongar a viabilidade dos óvulos em vermes, uma descoberta que poderia teoreticamente aumentar a fertilidade feminina em três a seis anos.
 
O achado foi efetuado num estudo conduzido por investigadores liderados por Coleen Murphy da Universidade de Princeton, EUA, que identificaram um fármaco que consegue prolongar a viabilidade dos óvulos no verme Caenorhabditis elegans (C. elegans), mesmo que seja administrado a meio do período reprodutivo.
 
Este verme partilha os mesmos genes que os humanos. A investigadora e equipa descobriram anteriormente que o C. elegans apresenta um declínio na reprodução semelhante ao dos humanos, incluindo o envelhecimento dos óvulos (oócitos).
 
“Por volta dos trinta e cinco anos, as mulheres começam a experienciar um declínio na fertilidade, maiores taxas de abortos espontâneos e defeitos de nascença relacionados com a idade. Todos esses problemas são supostamente causados pela qualidade dos óvulos em vez da falta de óvulos”, avançou Coleen Murphy. 
 
E é precisamente a manutenção da qualidade dos óvulos que tem sido, segundo a investigadora, posto um pouco de parte na investigação em geral.
 
A equipa debruçou-se sobre os genes e proteínas mais comuns em óvulos jovens e saudáveis. A equipa focou-se num grupo de proteínas conhecidas como protease catepsina B, cuja presença é rara nos óvulos de boa qualidade e mais comum à medida que os mesmos se degradam com a idade. 
 
A equipa usou então um fármaco que bloqueia essas proteínas, uma vez no início do período reprodutivo dos vermes e outra vez a meio do mesmo, que equivaleria a cerca de 35 anos numa mulher.
 
Os resultados foram melhores do que se esperava. O bloqueio das proteínas desacelerou o processo de envelhecimento dos oócitos, que se mantiveram saudáveis, o que não se observou nos oócitos do grupo de controlo. 
 
O bloqueio total da proteína produziu um aumento na fertilidade de 10% nos C. elegans. Isto equivaleria de três a seis anos no período reprodutivo numa mulher. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Comentários 0 Comentar