O herpes simples causa Alzheimer?

Estudo publicado na revista “Frontiers in Aging Neuroscience”

29 outubro 2018
  |  Partilhar:
Segundo uma equipa de investigadores, a resposta para a causa da doença de Alzheimer poderá estar mesmo debaixo do nosso nariz, literalmente.
 
Ruth Itzhaki, investigadora da Universidade de Manchester, Reino Unido, tem vindo a investigar esta questão e sugere que, efetivamente, o vírus do herpes simples 1 (HSV-1), conhecido como o vírus que provoca os incómodos herpes labiais, poderá causar Alzheimer.
 
A investigadora considera ainda que os fármacos antivirais poderão reduzir drasticamente o risco de demência senil em pacientes com infeções severas por herpes. Em suma, se esta teoria for comprovada, uma das doenças mais caras e devastadoras da humanidade poderá ser prevenida de forma muito simples.
 
“O HSV-1 poderá contribuir para mais de 50% dos casos de doença de Alzheimer”, disse Ruth Itzhaki, que já tinha demonstrado que os herpes labiais ocorrem mais frequentemente em pessoas que expressam a variante genética APOE-ε4, a qual faz aumentar o risco desta doença neurodegenerativa.
 
A teoria da equipa da investigadora é que nos indivíduos que expressam a APOE-ε4, a reativação nas células cerebrais infetadas com o vírus HSV-1 é mais frequente e agressiva, o que faz acumular danos que acabam por desencadear Alzheimer.
 
Os investigadores citaram, neste âmbito, informação recolhida da Base de Dados de Investigação do Serviço Nacional de Saúde de Taiwan. 
 
Em 2017-18 foram publicados três estudos, baseados nessa informação, que demonstravam que o risco de demência senil é muito maior nos indivíduos infetados com HSV e que o tratamento antiviral faz diminuir substancialmente o número de doentes afetados pelo HSV-1 e que desenvolvem demência posteriormente. Estudos anteriores da equipa de Ruth Itzhaki suportavam estes achados.
 
A autora realça, contudo, que estes resultados se aplicavam apenas a casos de infeções severas por HSV-1 que são pouco comuns. Idealmente, seriam conduzidos estudos com casos de infeções leves provocadas pelo vírus, como o herpes labial.
 
“Considerando que mais de 150 publicações suportam fortemente um papel do HSV-1 na Alzheimer, estes achados de Taiwan justificam acentuadamente o uso de antivirais contra o herpes, que são seguros e bem tolerados, para tratar a doença de Alzheimer”, conclui.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Comentários 0 Comentar