Novo medicamento para dormir preserva capacidade de despertar perante perigo

Estudo publicado na revista “Frontiers in Behavioral Neuroscience”

28 janeiro 2019
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Uma equipa de investigadores está a desenvolver um novo medicamento para dormir que preserva a capacidade de o utilizador despertar perante uma ameaça de perigo.
 
O novo medicamento em forma de comprimidos está a ser desenvolvido por Tomoyuki Kuwaki, da Universidade de Kagoshima, Japão, e colegas e demonstrou despertar ratinhos com a mesma rapidez dos que dormiam sem qualquer soporífero.
 
Mesmo durante o sono, o cérebro continua a processar informação sensorial, despertando-nos se detetar qualquer ameaça. No entanto, os comprimidos para dormir mais comuns que requerem prescrição, as benzodiazepinas, tornam o utilizador menos propenso a despertar perante estímulos sensoriais. 
 
Nos últimos 10 anos, tem vindo a ser desenvolvida uma nova classe de fármacos hipnóticos conhecidos como antagonistas duplos dos recetores da orexina, abreviados DORA (“dual orexin receptor antagonists”).
 
Os DORA são mais seguros do que as benzodiazepinas pois causam um menor efeito de “ressaca” e são menos propensos a afetarem a capacidade de condução de máquinas no dia a seguir ao seu uso.
 
A equipa deste estudo especulou que os DORA poderiam permitir que o cérebro se mantivesse vigilante durante a noite perante ameaças sensoriais.  
 
A teoria foi testada em ratinhos. Um grupo de ratinhos recebeu uma benzodiazepina, outro recebeu o fármaco denominado DORA-22 e o terceiro grupo, o de controlo, recebeu um placebo. Os ratinhos foram testados à noite, que é a altura em que se encontram normalmente mais ativos. 
 
Os grupos dos fármacos apresentaram um sono profundo 30 a 40% mais longo do que o grupo do placebo. Perante estímulos sensoriais que apresentavam ameaças – o odor de uma raposa, um ruído de alta frequência e uma simulação de tremor de terra, houve uma resposta tardia nos ratinhos da benzodiazepina, enquanto os ratinhos do DORA-22 tiveram um despertar comparável ao do grupo do placebo. 
 
Mais, os ratinhos do grupo DORA-22 voltaram a adormecer sem dificuldade, à semelhança dos do grupo da benzodiazepina.
 
São agora necessários estudos em humanos para comprovar a eficácia e segurança do DORA-22.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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