Medicina complementar e alternativa em cancro: sim ou não?

Estudos apresentados no Congresso ESMO 2018

15 outubro 2018
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Dois estudos demonstram que metade dos pacientes com cancro usam a medicina complementar e alternativa antes e durante o tratamento da doença, mas que, no entanto, estas práticas estão frequentemente associadas a interações medicamentosas.
 
Um dos estudos, conduzido por investigadores do Hospital Universitário de Mannheim, Alemanha, analisou o uso de terapias não-convencionais em 152 pacientes com sarcoma, tumores de estroma gastrointestinal e tumores desmoides.
 
A medicina complementar e alternativa foi aqui considerada como sendo um leque alargado de práticas e suplementos de vitaminas e minerais como: homeopatia, acupuntura, meditação, ioga, Tai Chi, alterações alimentares como dieta vegan ou cetogénica. 
 
A equipa conduziu uma sondagem estruturada entre janeiro e abril de 2018 e descobriu que 51% dos pacientes tinham já usado aquele tipo de práticas durante a vida, e 15% apenas as tinham usado durante o cancro, em paralelo com a terapia convencional. 
 
Os pacientes davam preferência a suplementos de vitaminas e minerais concretos em vez de multivitaminas, com preferência para as vitaminas B17, C e D e ainda o zinco e selénio. No entanto, 60% dos pacientes reconheceram não ter informação suficiente sobre interações medicamentosas, demonstrando pouca preocupação com potenciais riscos. Os oncologistas apenas representaram 7% como fonte de informação sobre o uso da medicina alternativa.
 
O outro estudo, uma revisão retrospetiva liderada por Audrey Bellesoeur da Universidade de Paris Descartes, França, contou com 2.012 pacientes com sarcoma que estavam a receber tratamento para a doença. 
 
Entre 2014 e 2018 foram observadas interações medicamentosas graves em 18% dos pacientes e segundo Audrey Bellesoeur 29% das mesmas estavam associadas a medicinas complementares e alternativas. 
 
“Os riscos de interações com fármacos não-convencionais são os mesmos que para outras medicações complementares: principalmente maior toxicidade e perda de eficácia dos tratamentos anticancerígenos”, comentou a investigadora.
 
Segundo o panorama do cancro da mama, a ESMO (“European Society for Medical Oncology”) reconhece os benefícios do exercício físico, programas de redução de stress com base na “mindfulness”, hipnose, ioga e acupuntura, e não recomenda o uso de suplementos ou terapias com ervas, minerais, antioxidantes, ozono, oxigénio, dose elevadas de vitaminas e outros.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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