Medicação para a fibrilhação auricular pode aumentar o risco de queda

Estudo publicado na revista “Journal of the American Geriatrics Society”

20 agosto 2019
  |  Partilhar:
O uso de medicação para tratar a fibrilhação auricular poderá aumentar o risco de queda em idosos, indicou um novo estudo.
 
A fibrilhação auricular é o problema de ritmo cardíaco irregular nos idosos, afetando entre 3 e 5% dos indivíduos com mais de 65 anos de idade. 
 
A medicação para prevenir os sintomas da fibrilhação auricular pode potencialmente aumentar o risco de quedas. Contudo, esta ligação não tinha ainda asido estudada a fundo.
 
Uma equipa de investigadores do Hospital Universitário de Copenhaga, Dinamarca, procurou analisar aquela ligação, através de dados clínicos dinamarqueses. Os investigadores identificaram 100.935 pacientes, com idades entre os 65 e os 100 anos na altura em que tinham sido diagnosticados com fibrilhação auricular e que tinham recebido prescrições de medicação para o ritmo cardíaco.
 
A medicação prescrita aos pacientes abrangia betabloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio (diltiazem, verapamil), digoxina, amiodarona, flecainida, propafenona e outros. 
 
Seguidamente, os investigadores identificaram os pacientes que tinham ido às urgências ou sido internados devido a desmaios, lesões relacionadas com quedas ou ambos. As lesões relacionadas com quedas foram definidas como fraturas nas coxas, cotovelos, braços, pulsos, ombros, zona pélvica, crânio e pequenas e grandes lesões na cabeça.
 
Os participantes foram seguidos durante dois anos e meio. No decorrer desse período foi constatado que 17.132 (17%) dos participantes tinham sofrido uma lesão relacionada com queda, 5.745 (5,7%) tinham tido um episódio de desmaio e 21.093 (20,9%) tinham sofrido uma lesão relacionada com queda ou com desmaio.
 
Foram ainda identificadas 40. 447 (40,1%) mortes não relacionadas com episódios de desmaio ou de lesão relacionada com queda.
 
A equipa apurou que o fármaco amiodarona estava significativamente associada a um maior risco de lesões relacionadas com queda e desmaio, quer prescrito isoladamente e com outros fármacos para o ritmo cardíaco; o fármaco digoxina foi associado de forma ligeira. Os riscos de lesões eram mais elevados nos primeiros 90 dias de tratamento, especialmente nos primeiros 14 dias.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Comentários 0 Comentar