Investigação de cura para o cancro poderá avançar dramaticamente

Estudo publicado na revista “Genes & Development”

28 abril 2017
  |  Partilhar:
Uma equipa de investigadores desenvolveu uma técnica que irá fazer acelerar substancialmente a pesquisa de novos tratamentos e cura para o cancro.
 
Desenvolvida pela Escola de Medicina da Universidade da Virginia, EUA, a nova técnica permitirá a um laboratório de pesquisa efetuar o trabalho de dezenas de laboratórios. Além dos benefícios para a investigação sobre o cancro, a técnica poderá ser também aplicada a outras doenças provocadas por mutações genéticas como a doença de Alzheimer.
 
A nova técnica permite aos investigadores analisar os efeitos das mutações genéticas a uma escala e rapidez nunca antes conseguidas, e a um custo muitíssimo inferior. Isto traduz-se em identificar o fármaco correto para a mutação genética específica do paciente em vez do fármaco correto para certa doença.
 
Compreender o efeito das mutações genéticas é normalmente um processo longo e frustrante. “Lida-se com um gene e uma mutação de cada vez. Agora, esperamos que se possa processar 40 ou 100 delas, simultaneamente”, explicou J. Julius Zhu, investigador principal neste estudo.
 
Para a nova técnica, a equipa usou um vírus do género do VIH para substituir genes por genes mutantes para que os cientistas conseguissem perceber os efeitos causados pela mutação. Este processo demorou vários anos.
 
“Mesmo com a tecnologia CRISPR [edição genética, do inglês “Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats”] que temos atualmente, custa muito dinheiro e demora muito tempo e a maioria dos laboratórios não a consegue fazer, sendo que queríamos desenvolver algo simples que todos os laboratórios pudessem fazer”, continua o investigador.
 
“Nenhuma outra abordagem é tão eficiente e rápida atualmente. Precisaríamos de 10 anos para fazer o que nos está a demorar três meses; assim, é uma escala totalmente diferente”, acrescenta. 
 
J. Julius Zhu, adianta que “nenhum paciente deve receber o mesmo tratamento. De forma nenhuma. Nem mesmo se apresentarem a mesma síndrome, a mesma doença”. O especialista considera que cada paciente é diferente e tem que ser tratado de forma diferente.
 
A equipa já analisou cerca de 50 mutações do gene BRaf, as quais estão associadas a tumores e a uma doença neurológica conhecida como síndrome cardiofaciocutâneo. Este trabalho deu mais dados sobre o papel das mutações nas doenças.
 
“A justificação [de uns fármacos funcionarem com uns pacientes e outros não] é que não sabemos que fármacos vão funcionar com a mutação específica deles. Assim, isto seria verdadeiramente medicina de precisão: tem-se a mesma doença, a mesma síndrome, mas uma mutação diferente, sendo que se tem que usar fármacos diferentes”, concluiu o especialista.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.