Formam-se novos neurónios até depois dos 90 anos de idade

Estudo publicado na revista “Cell Stem Cell”

29 maio 2019
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A formação de novos neurónios, conhecida como neurogénese, ocorre até depois dos 90 anos e em cérebros com défice cognitivo e até com doença de Alzheimer, demonstrou um novo estudo.
 
Conduzido por uma equipa de investigadores liderada por Orly Lazarov, docente de anatomia e biologia celular na Faculdade de Medicina da Universidade de Chicago, EUA, o estudo teve como base a análise de tecidos de 18 cérebros de pessoas falecidas com idades entre os 79 e os 99 anos. A média de idades dos cérebros era de 90,6 anos.
 
A equipa procurou células estaminas neurais e neurónios recém-desenvolvidos nos tecidos. Como resultado, foram detetadas, em média, 2.000 células estaminas neurais em cada cérebro. Foram ainda identificados, em média, 150.000 neurónios em desenvolvimento em cada cérebro analisado. 
 
A análise de um subgrupo dos neurónios em desenvolvimento revelou que o número de neurónios em desenvolvimento era significativamente inferior nos cérebros de pessoas com défice cognitivo e com doença de Alzheimer, em relação às que tinham uma função cognitiva normal. 
 
Contudo, “o interessante é que observámos alguns neurónios novos nos cérebros de pessoas com a doença de Alzheimer e com incapacidade cognitiva”, disse Orly Lazarov. 
 
A investigadora indicou ainda que as pessoas que tinham tido melhores pontuações em medições da função cognitiva possuíam uma maior quantidade de novos neurónios em desenvolvimento, em relação às que tinham tido piores pontuações, independentemente dos níveis de patologia cerebral. 
 
Orly Lazarov considera que os níveis mais reduzidos de neurogénese no hipocampo estarão associados a sintomas de declínio cognitivo e de menor plasticidade sináptica, e não com o grau de patologia cerebral.
 
A ideia de continuarem a formar-se novos neurónios após a meia-idade, sem falar após a adolescência, é controversa pois estudos anteriores ofereceram resultados contraditórios. 
 
A autora está muito entusiasmada com estes resultados pelas possibilidades terapêuticas que oferecem: “o facto de termos descoberto que estão presentes células neurais estaminais e neurónios novos no hipocampo de idosos significa que poderemos conseguir desacelerar ou prevenir o declínio cognitivo nos idosos, especialmente quando este começa, que é quando as intervenções podem ser mais eficazes”, concluiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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