Fármaco de terapia estaminal pode proteger contra sintomas de DPOC associados ao tabaco

Estudo publicado na revista “American Journal of Physiology”

10 julho 2018
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Um fármaco usado na terapia com células estaminais para tratar certos tipos de cancro pode também proteger contra as lesões pulmonares provocadas pelo tabaco.
 
O plerixafor é um medicamento que estimula o sistema imunitário a libertar da medula óssea para a corrente sanguínea uma maior quantidade de um tipo de células estaminais: as células progenitoras hematopoiéticas, ou CPH. Este medicamento é usado para tratar alguns cancros originados nas células sanguíneas, incluindo o mieloma múltiplo e o linfoma não-Hodgkin. As células estaminais têm o potencial de evoluir para muitos tipos diferentes de células e estão envolvidas na reparação tecidular.
 
A investigação anterior tinha mostrado que um número baixo de CPH no sangue está associado a um aumento da gravidade do enfisema, uma forma da doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), e alguns estudos sugeriam que a escassez de CPH circulante impedia os pulmões de reparar os danos provocados pelo tabaco.
 
Com base nesta teoria, este novo estudo explorou os efeitos do plerixafor na circulação das células estaminais – e, subsequentemente, na função pulmonar – em ratinhos. Um grupo de ratinhos foi exposto ao fumo do tabaco cinco dias por semana durante 22 semanas e recebeu injeções regulares de plerixafor (“tratado”), enquanto o outro grupo foi exposto ao fumo mas não recebeu tratamento (“exposto”).
 
A equipa de investigadores reuniu células estaminais dos dois grupos e descobriu que havia uma diminuição do número de células no grupo exposto no início do período do ensaio, o que é, de acordo com os investigadores, consistente com a teoria de que mesmo uma exposição breve ao tabaco reduz a população de CPH na medula óssea. Em contrapartida, não havia uma diminuição de CPH no grupo tratado. Na verdade, o número de células CPH neste grupo aumentou após duas semanas de tratamento. Amostras do fluido pulmonar do grupo tratado mostraram que não havia alterações significativas no número de glóbulos brancos ou inflamação em relação ao grupo de controlo. Aumentos nestes fatores são um indicador típico de doença ou lesão.
 
Os efeitos protetores do plerixafor nas lesões pulmonares provocadas pelo tabaco “colocam a hipótese de a mobilização [da medula óssea] aumentar a disponibilidade de CPH para a manutenção e reparação das células pulmonares”, escrevem os investigadores. “O nosso estudo apoia a utilidade deste medicamento aprovado pela FDA como potencial tratamento para o enfisema”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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