Estudo publicado na revista “Cell Metabolism”
Investigadores americanos descobriram que uma molécula envolvida no crescimento de vasos sanguíneos nos músculos tem um efeito oposto nas células endoteliais dos pacientes com diabetes, afetando o crescimento dos vasos sanguíneos e conduzindo a complicações vasculares perigosas, que podem resultar em infeções crónicas e amputações dos membros, refere um estudo publicado na revista “Cell Metabolism”.
Apesar de se acreditar que os níveis elevados de glucose estão de alguma forma associados com a incapacidade de as úlceras crónicas e infeções curarem devidamente, ainda não se sabia, até à data, como este processo ocorria.
Os investigadores do Beth Israel Deaconess Medical Center, nos EUA, já estudam a molécula PGC-1alfa há mais de uma década, tendo descoberto que esta é sensível a níveis baixos de oxigénio e aos nutrientes nas células musculares, promovendo o crescimento de novos vasos sanguíneos, um processo conhecido por angiogénese.
Uma vez que as células endoteliais presentes nos vasos sanguíneos são as responsáveis por levar a cabo este processo, os investigadores decidiram investigar o papel da PGC-1alfa na diabetes.
Após terem realizado várias experiências in vitro e in vivo, os investigadores constataram que nas células endoteliais a PGC-1alfa é induzida pela diabetes, o que inibe fortemente a migração endotelial, a angiogénese, resultando na disfunção vascular.
“Estes resultados foram surpreendentes, uma vez que os efeitos da PGC-1alfa nas células endoteliais são opostos aos seus efeitos nas células musculares. Enquanto nestas últimas a PGC-1alfa tem um efeito pro-metabólico, nas células endoteliais impede o crescimento dos vasos sanguíneos nos pacientes com diabetes e compromete consequentemente a recuperação das feridas”, explicou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Zoltan Arany.
Os autores do estudo concluem que estes resultados não só ajudam a explicar os mecanismos moleculares envolvidos nos problemas microvasculares da diabetes, como também sugere que, devido aos seus efeitos antagónicos nos diferentes tipos de células, a utilização da PGC-1alfa como potencial alvo terapêutico deve ser considerada com muita precaução.
ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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