Desenvolvido método que isola células promissoras para regenerar o coração

Estudo do Instituto de Investigação em Saúde

10 julho 2019
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Investigadores do Instituto de Investigação em Saúde (i3S), no Porto, desenvolveram um método capaz de isolar as células do coração que podem ser as “candidatas mais promissoras” na regeneração do tecido cardíaco após um enfarte.
 
Em entrevista à agência Lusa, Mariana Valente, investigadora do i3S, explicou que o estudo desenvolvido visava responder a uma questão que ainda hoje “continua a ser pertinente”: a existência de células estaminais ou progenitoras cardíacas.
 
Com o objetivo de “desenvolver um mapa de todas as células que constituem o coração”, a equipa decidiu, por isso, “olhar para o embrião”, ou seja, para o momento em que o coração começa a ser formado e todas as células progenitoras necessárias para a formação do coração estão presentes.
 
Depois de definidas todas as células, a equipa começou por “descartar” as células maduras [células completamente formadas e com uma função já estabelecida] e ficou com “um número restrito de marcadores proteicos” - a proteína CD24/HSA - que apenas existe no início do desenvolvimento do coração e está presente nos cardiomiócitos (célula que ao contrair proporciona o batimento ao coração) mais imaturos.
 
“Olhando para o embrião conseguimos perceber qual a forma de identificar um cardiomiócito imaturo, uma vez que eles expressam a proteína CD24”, disse Mariana Valente, adiantando que “esta foi a primeira vez que estas células foram isoladas”.
 
“Quando há um enfarte do miocárdio, os cardiomiócitos são as células perdidas de forma irreversível (…). Quando o coração perde parte dos cardiomiócitos, não vai bater de forma regular e as pessoas poderão desenvolver arritmias, insuficiência cardíaca e o coração pode parar”, apontou.
 
À Lusa, a investigadora explicou que o estudo agora divulgado, ao “isolar todas as células que constituem o coração”, permite que as investigações futuras sejam “mais eficazes”.
 
“Neste momento temos um método de isolamento de cardiomiócitos imaturos que nos irá permitir perceber de que forma é que podemos estimular estas células imaturas, que são muito poucas e raras, a desenvolverem novos cardiomiócitos após uma lesão do coração”, concluiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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