Crescem casos de doentes em situação crítica por recurso a pseudoterapias

Alerta das ordens dos médicos da Península Ibérica

29 janeiro 2019
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As ordens dos médicos da Península Ibérica avisam que são crescentes os casos de doentes em situações críticas por recorrerem a pseudoterapias ou a pseudociência e apelam a que se aperte o controlo sobre “falsas atividades preventivas e curativas”.
 
Segundo apurou a agência Lusa, o apelo dirigido aos responsáveis políticos e às autoridades surge numa declaração assinada em Madrid por representantes da Ordem dos Médicos de Portugal e da sua congénere espanhola – Consejo General de Colegios Oficiales de Médicos de España.
 
Numa reunião que decorreu recentemente, os representantes médicos analisaram a “crescente proliferação de casos de doentes em situações críticas” pelo uso de pseudoterapias, que não são baseadas na evidência científica nem estão validadas pela comunidade científica.
 
O bastonário dos Médicos de Portugal, Miguel Guimarães, explicou à agência Lusa que grande parte desses casos resulta de atrasos nos diagnósticos enquanto as pessoas se submetem a supostas terapias sem qualquer validade científica ou efeito.
 
Na declaração de Portugal e Espanha, as duas ordens dos médicos apelam aos responsáveis políticos para criar legislação que combata as pseudoterapias e a pseudociência e para apertar o controlo à divulgação ou aplicação de “falsas atividades preventivas e curativas”.
 
O documento esclarece que pseudoterapia é toda a oferta de cura de doenças ou de alívio de sintomas e melhoria da saúde usando procedimentos, técnicas, produtos ou substâncias baseadas em crenças ou em critérios sem evidência científica ou sem validação e que são falsamente apresentadas como científicas.
 
As duas ordens apelam a que todos os atos de pseudociência ou de falsas terapias sejam denunciados, por constituírem uma “fraude à saúde” e querem que todas essas práticas sejam “expressamente proibidas e excluídas de qualquer sistema de saúde”, sendo consideradas como práticas que atentam contra a saúde pública e contra a segurança dos doentes.
 
A declaração indica ainda que todo o médico tem obrigação de informar o doente de que as pseudoteapias não são uma especialidade médica. Aliás, as duas ordens consideram que a profissão médica tem de “aprofundar aspetos como a relação médico-doente” ou a comunicação pessoal, como forma de “evitar o recurso às pseudociências e pseudoterapias”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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