Composto impede a disseminação do melanoma em 90%

Estudo publicado na revista “Molecular Cancer Therapeutics”

09 janeiro 2017
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Investigadores americanos descobriram um composto químico que reduz a disseminação das células de melanoma em 90%, dá conta um estudo publicado na revista “Molecular Cancer Therapeutics”.
 
De acordo com os investigadores da Universidade do Estado de Michigan, nos EUA, este pequeno composto, que pode funcionar como fármaco, tem por alvo um gene envolvido na produção de moléculas de ARN e de proteínas presentes nos tumores do melanoma. Esta atividade genética, ou processo de transcrição, faz com que a doença se dissemine. Até à data poucos foram os compostos que conseguiram impedir este processo. 
 
Richard Neubig, o líder do estudo, referiu que o composto químico é de facto o mesmo que a equipa tem trabalhado para tratar potencialmente a esclerose sistémica.
 
Segundo a Universidade do Estado de Michigan, em informação veiculada no sítio da Internet, a esclerose sistémica é uma doença autoimune rara e frequentemente fatal que provoca o endurecimento do tecido da pele, bem como de outros órgãos incluindo, pulmões, coração e rins. Os mesmos mecanismos que produzem a fibrose, ou espessamento da pele, na esclerose sistémica também contribuem para a propagação do cancro.
 
O melanoma é o cancro da pele mais perigoso, estima-se de seja anualmente responsável pela morte de 10 mil pessoas. Uma das razões pela qual este cancro é tão fatal está associada ao facto de se disseminar rapidamente atingindo órgãos distantes como o cérebro e os pulmões.
 
Os investigadores apuraram que o novo composto era capaz de impedir as proteínas, conhecidas por MRTFs, de iniciar o processo de transcrição de genes nas células do melanoma. Estas proteínas são inicialmente ativadas por outra, a RhoC, que está presente na via de sinalização que causa a rápida disseminação da doença.
 
O estudo apurou que o composto reduziu a migração das células do melanoma entre 85 a 90%. Verificou-se ainda que este potencial fármaco reduziu especificamente os tumores nos pulmões de ratinhos que tinham sido injetados com células do melanoma humano.
 
Kate Appleton, uma das autoras do estudo, referiu que o efeito do composto na desativação do crescimento das células do melanoma é maior quando a via de sinalização está ativada. Desta forma, a ativação das proteínas MRTF poderia funcionar como um biomarcador para determinar o risco de disseminação da doença, especialmente nos casos em que o melanoma ainda se encontra nos estadios inicias. 
 
Richard Neubig conclui que se este cancro for detetado precocemente o risco de morte é de apenas dois por cento, comparativamente aos 84% quando é detetado em fases mais avançadas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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