Colesterol HDL: porque nem sempre diminui risco de doença cardiovascular?

Estudo publicado na revista “Cell Metabolism”

24 novembro 2016
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Investigadores holandeses descobriram por que motivo o aumento dos níveis de lipoproteína de alta densidade (HDL), “bom” colesterol, nem sempre diminui o risco de doença cardíaca, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Metabolism”.
 
Vários estudos têm demonstrado que os níveis elevados da HDL estão associados a um menor risco de aterosclerose, uma doença inflamatória que causa a acumulação de placas nas artérias. Por oposição à lipoproteína de baixa densidade LDL, responsável pela acumulação nos vasos sanguíneos, a HDL remove e transporta o colesterol para o fígado para ser degradado. A HDL protege contra a aterosclerose ao inibir a inflamação nas células endoteliais e do músculo liso. Por outro lado, os macrófagos são um tipo de células imunitárias que parecem desempenhar um papel importante na inflamação que caracteriza a aterosclerose.
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade de Maastricht, na Holanda, decidiram averiguar o efeito da HDL na resposta inflamatória nos macrófagos. Verificou-se que a HDL aumentava a inflamação nos macrófagos, contrariando a sua ação anti-inflamatória noutro tipo de células. Os macrófagos de ratinhos com níveis elevados de HDL também apresentaram sinais claros de inflamação.
 
Na opinião dos cientistas, o efeito pró-inflamatório induzido pela HDL tem, pelo menos, o benefício de aumentar a proteção contra agentes patogénicos. Observou-se que os macrófagos pulmonares ingeriram bactérias causadoras de doença após a exposição ao HDL. Por outro lado, os ratinhos com níveis baixos de HDL apresentavam dificuldades na eliminação destas bactérias nos pulmões. 
 
Os resultados demonstram que a atividade pró-inflamatória da HDL apoia o bom funcionamento da resposta imune dos macrófagos. 
 
De acordo com Marjo Donners, líder do estudo, estes achados sugerem que os pacientes com infeções persistentes ou distúrbios imunológicos específicos podem beneficiar de terapias que aumentem os níveis da HDL.
 
Contudo, o investigador refere que ainda não ficou claro se a HDL tem um efeito benéfico ou prejudicial nos macrófagos num microambiente complexo, como é o caso da placa aterosclerótica.
 
A resposta a esta pergunta pode depender da fase da doença e do efeito sobre todas as células da parede vascular. 
 
O investigador refere que na aterosclerose precoce, uma resposta adequada dos macrófagos poderia conduzir a uma eliminação mais eficaz dos lipídios e lixo celular, o que poderia aliviar a doença. Por outro lado, em fases mais avançadas, esta resposta exagerada pode ser prejudicial porque destabiliza a placa.
 
Adicionalmente, os efeitos anti-inflamatórios evidentes noutros tipos de células devem ser tidos em conta. Marjo Donners defende que é o equilíbrio entre estes efeitos opostos da HDL que irá determinar o resultado clínico para os pacientes com doença cardiovascular.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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