Cancro do estômago indetetável: descoberta a causa

Estudo publicado na revista Journal of Gastroenterology

24 julho 2019
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O Professor Kazuaki Chayama, do Hospital Universitário de Hiroxima, Japão, e a sua equipa, descobriram a origem de estranhas camadas de células presentes em zonas do estômago com cancro, depois de tratarem e erradicarem a bactéria H. Pylori.
 
A bactéria H. Pylori vive no estômago humano e consegue neutralizar o ácido para sobreviver. É causadora do cancro do estômago ao causar inflamação, injetando uma toxina nas células mucosas que revestem o estômago. O processo de constante destruição e regeneração destas células dá origem ao cancro. 
 
As camadas em estudo, chamadas ELA (sigla em inglês de Epithelium with Low-grade Atypia), assemelham-se muito às células mucosas normais. Servem para camuflar e esconder o cancro e não se sabia como apareciam. 
 
“A erradicação da H. Pylori afeta a regeneração da mucosa gástrica”, deixando marcas côncavas e vermelhas no estômago, não sendo necessariamente cancro. Contudo é difícil distinguir a mucosa ELA da mucosa normal do estômago, explica Kazuaki Chamaya.
 
Através da análise preliminar de tecidos recolhidos a 10 pacientes depois de terem sido submetidos a uma cirurgia gástrica, percebeu-se que o ADN da ELA era idêntico ao ADN das células cancerígenas no estômago. Concluiu-se então que a ELA tem origem no tecido cancerígeno que está por baixo.
 
Esta descoberta mostra que, mesmo depois da erradicação da bactéria, o risco de cancro permanece para alguns pacientes, já que a ELA dificulta a sua deteção e chama a atenção para a importância de os clínicos saberem da existência desta camada para se evitar diagnósticos errados. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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