Cancro do cólon: proteína afeta imunidade prevenindo inflamação pré-cancerígena

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

27 outubro 2017
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Um estudo demonstrou que as mutações no gene Adenomatous Polyposis Coli (APC) estão associadas à polipose adenomatosa familiar.
 
A polipose adenomatosa familiar é uma forma rara e hereditária de cancro colorretal, que representa 1% dos casos de cancro colorretal. As mutações no gene (APC) promovem a formação de pólipos no cólon, assim como prejudicam o sistema imunitário, que não consegue combater a inflamação produzida na mucosa do cólon. Como consequência pode desenvolver-se cancro.
 
O estudo foi conduzido por uma equipa de investigadores do Instituto Pasteur e Inserm, França. A equipa já sabia que as mutações no gene APC podiam influenciar o sistema imunitário. No entanto, não tinham ainda identificado os mecanismos moleculares envolvidos e a ligação com o desenvolvimento do cancro colorretal.
 
A equipa explicou a forma como a proteína APC ativa um tipo de células imunitárias, os linfócitos T: “a proteína ativa os linfócitos T através de um fator conhecido como NFAT [fator nuclear de células T ativadas]”, disse Andrés Alcover, autor deste estudo.
 
“Os pacientes com polipose possuem uma versão mutante do gene, que leva a uma deficiência na proteína APC e pode reduzir a presença do NFAT no núcleo das células” (o que previne a ativação dos linfócitos).
 
Uma família de linfócitos T, conhecida como células T reguladoras, é particularmente sensível às mutações na APC. A equipa observou uma disfunção naquelas células T reguladoras (as quais existem em abundância nos intestinos) em ratinhos com predisposição para desenvolverem polipose, tal como os humanos.
 
Aquela disfunção causa a desregulação do sistema imunitário nos intestinos e problemas no controlo da inflamação local.
 
“Esta foi a primeira vez que caracterizámos, a nível molecular, a forma como as mutações na proteína APC afetam o sistema imunitário, criando condições favoráveis para o desenvolvimento do cancro”, prosseguiu Andrés Alcover.
 
Estes achados sugerem que as mutações no gene APC desempenham um papel duplo no desenvolvimento do cancro colorretal: além de desencadearem o desenvolvimento de pólipos, reduzem a ação do sistema imunitário, impedindo que este controle a inflamação intestinal. Este ciclo vicioso promove o desenvolvimento do cancro.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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