Cancro da mama: hormonas do stress promovem metástases

Estudo publicado na revista “Nature”

18 março 2019
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Uma equipa de investigadores descobriu os mecanismos moleculares que ligam a metastização do cancro da mama a um aumento das hormonas do stress.
 
Como se sabe, o stress contribui para a progressão das doenças oncológicas.
 
No âmbito de um estudo conduzido pela equipa da Universidade da Basileia e do Hospital Universitário da Basileia, Suíça, foi ainda descoberto que os derivados sintéticos de hormonas do stress, usados frequentemente como anti-inflamatórios no tratamento do cancro, fazem diminuir o efeito da quimioterapia.
 
Um dos maiores problemas no tratamento do cancro da mama com metástases é a heterogeneidade dos tumores. À medida que a doença progride, o tumor torna-se mais diversificado e as diferenças entre as células cancerígenas podem conduzir a tratamentos inadequados. 
 
Não se percebe bem este fenómeno e é o que a equipa de Mohamed Bentires-Alj tem vindo a estudar. Os investigadores têm analisado as células do cancro da mama triplo negativo, um subtipo de cancro da mama bastante sujeito a metastização.
  
A equipa observou em ratinhos com cancro da mama que as metástases apresentam uma maior atividade de recetores glucocorticoides que medeiam os efeitos das hormonas do stress como o cortisol.
 
Foram ainda detetadas maiores concentrações de hormonas do stress cortisol e corticosterona nos ratinhos com metástases do que nos sem metástases.
 
Os investigadores demonstraram que o aumento dos níveis daquelas hormonas do stress faz ativar a atividade dos recetores glucocorticoides, fazendo aumentar a colonização e heterogeneidade das células cancerígenas, o que por sua vez fez diminuir a sobrevida.
 
Os recetores glucocorticoides fazem a mediação dos efeitos dos derivados sintéticos do cortisol, como a dexametasona, que é amplamente usada para tratar os efeitos da quimioterapia. Aqui, a equipa observou uma redução na eficácia do fármaco paclitaxel quando administrado juntamente com dexametasona. 
 
Os achados sugerem cautela na prescrição de hormonas glucocorticoides a pacientes com cancro da mama; poderá ainda ser benéfico inibir os recetores glucocorticoides.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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