Biomarcador pode detetar cancro da mama que não necessite de quimioterapia

Estudo publicado na revista “Journal of Clinical Oncology”

26 fevereiro 2019
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Um novo estudo identificou um biomarcador que poderá prognosticar corretamente que pacientes com cancro da mama HER2 positivo (receptor tipo 2 do factor de crescimento epidérmico humano em excesso, que promove o crescimento cancerígeno) poderão receber apenas terapêutica dirigida antiHER2, sem necessitar de adicionar quimioterapia convencional.
 
Uma equipa de investigadores do Centro do Cancro Johns Hopkins Kimmel, EUA, analisou 83 mulheres com cancro da mama RE (Recetor de Estrogénio) negativo e HER2 positivo, que tinham sido recrutadas em várias instituições clínicas nos EUA.
 
15 dias antes e após terem recebido o primeiro ciclo de tratamentos, as doentes foram submetidas a Tomografia por Emissão de Positrões (PET) com marcadores radioativos para detetar o consumo de glicose pelas células cancerígenas. 
 
As doentes receberam um total de quatro ciclos de pertuzumab e de trastuzumab, durante 12 semanas, sem quimioterapia. Estes dois anticorpos monoclonais são frequentemente utilizados no tratamento do cancro da mama HER2 positivo, mas em combinação com quimioterapia.
 
Como se sabe, os fármacos quimioterápicos apresentam efeitos secundários de toxicidade, afetando também as células saudáveis.
 
A equipa pretendia determinar se as alterações iniciais observadas nos exames PET, efetuados nos primeiros estádios de terapêutica dirigida antiHER2, poderiam ajudar a identificar os tumores que desapareceriam completamente após a terapia antiHER2.
 
Duas semanas depois do início do tratamento, os investigadores descobriram que conseguiam prognosticar quais os pacientes a receberem terapêutica dirigida antiHER2 não iriam requerer quimioterapia. 
 
Em aproximadamente 56% dos casos (44 doentes), foi identificado um biomarcador preditivo que poderá constituir uma potencial ferramenta de avaliação das respostas iniciais.
 
Segundo Roisin Connoly, investigadora líder deste estudo, a alteração no consumo de açúcar observada nos exames PET entre o início e duas semanas após começar o tratamento, assim como o valor apurado às duas semanas, ofereciam a melhor capacidade de prognóstico da resposta à terapêutica dirigida antiHER2.
 
Os níveis de açúcar elevados às duas semanas de tratamento indicarão que o tumor provavelmente não responderá totalmente ao tratamento e necessitará de quimioterapia, explicou a autora. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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