Acidente vascular cerebral: desenvolvida nova técnica imagiológica

Estudo publicado na revista “Circulation: Cardiovascular Imaging”

12 outubro 2016
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Investigadores americanos desenvolveram uma técnica imagiológica que pode ajudar a prever quem está em maior risco de desenvolver um acidente vascular cerebral (AVC). O estudo publicado na revista “Circulation: Cardiovascular Imaging” sugere que esta descoberta pode conduzir a um melhor tratamento para os pacientes com fibrilhação auricular.
 

A fibrilhação auricular, que afeta cerca de 33,5 milhões de pessoas no mundo inteiro, é a forma mais comum de arritmia cardíaca e está associada a um risco aumentado de AVC.
 

Michael Markl, um dos autores do estudo, explica que apesar de a fibrilhação auricular ser fácil de detetar e de diagnosticar, nem sempre é simples prever quem vai sofrer de AVC como consequência da condição.
 

A fibrilhação auricular está associada ao AVC, uma vez que a diminuição do fluxo sanguíneo pode conduzir à formação de coágulos sanguíneos que podem atingir o cérebro e iniciar um AVC. A ressonância magnética cardíaca desenvolvida pelos investigadores da escola de Medicina de Feinberg, nos EUA, é capaz de detetar a velocidade do sangue no coração e no organismo.
 

A técnica não é invasiva e não necessita de agentes de contraste. O programa de imagem, que apresenta imagens do fluxo sanguíneo de uma forma dinâmica e a três dimensões espaciais, é um software que pode também ser integrado no equipamento atual de ressonância magnética e não necessita de hardware e scanners específicos.
 

O investigador explica que é apenas necessário programar o scanner para gerar informação de uma forma diferente, permitindo medir o fluxo, a difusão das moléculas e a elasticidade dos tecidos. “Podemos interrogar o corpo humano de uma forma muito detalhada”, referiu, em comunicado de imprensa, Michael Markl.
 

Atualmente, os médicos tentam avaliar o risco de AVC no âmbito da fibrilhação auricular utilizando um sistema de avaliação de risco que tem em conta fatores como idade, saúde geral e sexo do paciente. Aos pacientes que se encontram em maior risco é prescrito um fármaco para impedir a formação dos coágulos que conduzem ao AVC.
 

No entanto, apesar de estas terapias diminuírem significativamente o risco de AVC também aumentam o risco de hemorragias. É um dilema com que muitos médicos se deparam. Na verdade, apesar de o risco de hemorragia ser inicialmente pequeno, após 20 ou 30 anos de medicação é cada vez mais provável surgirem complicações.
 

Desta a forma, a nova técnica imagiológica consegue fornecer uma avaliação mais precisa e impede que os médicos prescrevam medicação desnecessária.
 

O estudo piloto, que envolveu 60 pacientes e um grupo controlo, verificou que os indivíduos com fibrilhação auricular que tinham sido considerados de risco para o AVC através do sistema de avaliação tradicional apresentavam, na verdade, um fluxo sanguíneo normal. Por outro aldo, aqueles considerados de baixo risco apresentavam por vezes um abrandamento do fluxo sanguíneo sugestivo de coagulação.
 

Michael Markl refere que cerca de 50 a 60% dos pacientes considerados de risco tinham, na verdade, um fluxo sanguíneo normal. Deste modo, por hipótese, 50% dos pacientes não necessitavam, de facto, do tratamento.
 

Os investigadores estão a tentar aperfeiçoar a técnica de modo a ser possível obter os resultados numa questão de minutos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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