A fome torna a comida mais saborosa: observado mecanismo neuronal

Estudo publicado na “Nature Communications”

22 outubro 2019
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Investigadores do Instituto Nacional para as Ciências Fisiológicas de Okazaki, Japão, observaram o mecanismo neuronal que modula a nossa perceção dos sabores doces, azedos e amargos.
 
Quando sentimos muita fome, não só temos mais preferência por alimentos doces como os alimentos azedos e amargos são mais facilmente aceites. Quando temos fome, a comida sabe bem, em geral.
 
A comida doce sabe melhor pois o açúcar sinaliza ao organismo que é um alimento rico em calorias. Os sabores azedos ou amargos sinalizam alimentos estragados.
 
Em ratos, os investigadores observaram que os animais esfomeados tinham preferência por alimentos doces, mas não rejeitavam os amargos nem os azedos, tendo uma menor sensibilidade a estes.
 
A equipa focou-se então nos neurónios que expressam peptídeos relacionados ao Agouti, conhecidos por se ativarem durante estados de fome para despoletarem comportamentos de alimentação.
 
Estes neurónios estão presentes no hipotálamo que é fundamental na regulação do apetite. Em ratos estes neurónios foram ativados pelos cientistas através de métodos que manipulam a atividade neuronal de forma muito precisa como a quemogenética e a optogenética.
 
Foi observado que com esta ativação os neurónios glutamato na lateral do hipotálamo modularam os gostos dos ratos através de dois caminhos: os neurónios glutamatos virados para o septo pelúcido aumentavam a preferência para os sabores doces e aqueles virados para a habênula lateral diminuíam a sensibilidade aos sabores amargos.
 
Yasuhiko Minokoshi, co-autor, remata que são necessários mais estudos, nomeadamente para perceber se “estes caminhos neuronais do hipotálamo são alterados em condições patofisiológicas como a diabetes e a obesidade”, visto que é conhecida a preferência das pessoas obesas por doces.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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