13 jovens tetraplégicos voltam a poder segurar num copo ou escovar os dentes

Estudo publicado na revista “The Lancet”

09 julho 2019
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Uma equipa de cirurgiões empregou uma nova técnica que permitiu a recuperação da função das extremidades superiores em 13 jovens adultos tetraplégicos.
 
A técnica aplicada, uma cirurgia de transferência de nervos, é uma expansão das técnicas baseadas na transferência de tendões. Os cirurgiões da Austin Health em Melbourne, Austrália, ligaram nervos funcionais a nervos lesionados de forma a recuperar a força em músculos paralisados.
 
Para o estudo, que foi liderado por Natasha van Zyl, foram recrutados 16 jovens adultos com uma média de idades de 27 anos. Os jovens tinham recentemente (até 18 meses antes da intervenção) sofrido lesões da medula espinhal traumáticas no pescoço.
 
Os jovens foram submetidos a transferências únicas ou múltiplas de nervos numa extremidade superior ou em ambas, de forma a recuperarem a capacidade de abrirem a mão, de estenderem o braço, agarrarem e apertarem.
 
As intervenções envolveram retirar nervos funcionais a músculos dispensáveis, acima da lesão da medula espinhal, e ligá-los aos nervos dos músculos paralisados, abaixo da lesão, de forma a recuperar o controlo voluntário e revitalizar o músculo paralisado. 
 
Dois anos após a cirurgia, e após fisioterapia intensiva, os pacientes voltaram a ter a capacidade de estender o braço em frente e abrir a mão para agarrar e manipular objetos. Os jovens puderam assim voltar a escovar os dentes, segurar num copo, aplicar maquilhagem, escrever, impulsionar a cadeira de rodas e outras tarefas diárias.
 
Os resultados sugerem que as transferências de nervos podem surtir melhorias funcionais semelhantes às transferências tradicionais de tendões, com o benefício de requererem incisões mais pequenas e períodos de imobilização mais curtos após a cirurgia. 
 
Este constitui um avanço substancial na recuperação da função das mãos e braços em tetraplégicos, sendo uma opção cirúrgica segura e fiável.
 
Contudo, as cirurgias de transferência de nervos falharam em três dos participantes, pelo que a equipa adverte que são necessários mais estudos para identificar os pacientes que cumprem os melhores requisitos para a cirurgia, de forma a minimizar a incidência de falhas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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