“Bullying” associado a problemas com alimentação

Estudo da Universidade de Coimbra e Universidade de Leeds, Inglaterra

30 junho 2017
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Um estudo demonstrou que uma “relação conflituosa” com a alimentação e com a imagem corporal pode estar relacionada com a ocorrência de ‘bullying’ na adolescência e com “perceções de inferioridade”, anunciou a agência Lusa.
 
O estudo que envolveu 609 adolescentes do sexo feminino, 5.475 mulheres adultas e 335 homens foi conduzido por investigadores da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e da Faculdade de Medicina e Saúde da Universidade de Leeds, Inglaterra.
 
Numa primeira fase, os investigadores quiseram “perceber quais os fatores de risco para o desenvolvimento de problemas de comportamento alimentar na adolescência”, explica a Universidade de Coimbra.
 
“Concluiu-se que adolescentes que passaram por experiências de ‘bullying’ tendem a desenvolver sentimentos de vergonha em relação à sua imagem corporal e a iniciar comportamentos desregulados com a comida”, acrescenta.
 
Cristiana Duarte, investigadora principal do projeto, referiu que “quando as adolescentes atribuem ao corpo a razão pela qual são vítimas de ‘bullying’ podem começar a adotar comportamentos alimentares desregulados, como forma de corrigir aquilo que percecionam como uma inferioridade e que poderá estar na base dessas interações negativas com pares”.
 
Os investigadores avaliaram também o problema na população adulta, “a partir da autoavaliação com base em memórias de experiências negativas da infância e da adolescência, bem como em experiências na idade adulta associadas a vergonha e a dificuldades de regulação emocional e do comportamento alimentar”.
 
Nesse sentido, foram realizados estudos que envolveram 3.125 mulheres e 335 homens da população geral portuguesa com diversos graus em termos de peso, 2.236 inglesas com excesso de peso e obesidade e 114 mulheres diagnosticadas com Perturbação de Ingestão Alimentar Compulsiva.
 
Segundo Cristiana Duarte, observou-se que “memórias deste tipo de experiências negativas na infância e adolescência se associam também a vergonha corporal na idade adulta”. A situação agrava-se em mulheres com excesso de peso e obesidade.
 
Os investigadores desenvolveram um programa de intervenção psicológica de curta duração (quatro semanas) focado no desenvolvimento de competências para fomentar uma gestão equilibrada da alimentação. Depois, foi testado num estudo piloto em 20 mulheres com Perturbação de Ingestão Alimentar Compulsiva, tendo-se revelado eficaz.
 
No final desta intervenção, “notou-se uma redução significativa de sintomas de ingestão alimentar compulsiva e de outros sintomas de comportamentos alimentares perturbadores, de dificuldades relacionadas com a imagem corporal, autocriticismo e indicadores de depressão”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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