Vitamina D: níveis baixos à nascença estão associados a risco de esclerose múltipla?

Estudo publicado na revista “Neurology”

05 dezembro 2016
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Os bebés que nascem com níveis baixos de vitamina D podem ser mais suscetíveis de desenvolver esclerose múltipla mais tarde na vida, comparativamente com aqueles com níveis mais elevados desta vitamina, revela um estudo publicado na revista “Neurology”.
 
A esclerose múltipla é uma doença crónica, inflamatória e degenerativa, que afeta o sistema nervoso central. Até à data ainda não são conhecidas as causas exatas da doença, mas acredita-se que a doença surja em indivíduos geneticamente predispostos que foram expostos a uma combinação de fatores ambientais.
 
Neste estudo, os investigadores do Instituto Estatal do Soro, na Dinamarca, decidiram avaliar se havia uma associação entre os níveis de vitamina D à nascença e a esclerose múltipla. Foram incluídos indivíduos dinamarqueses nascidos desde Abril de 1981, que tinham desenvolvido esclerose múltipla em 2102 e cujas amostras de sangue seco à nascença tinham sido armazenadas no Biobanco Nacional Dinamarquês.
 
Os cientistas compararam o sangue de 521 pacientes com esclerose múltipla com o de 972 indivíduos saudáveis do mesmo sexo e idade.
 
No estudo, os níveis de vitamina D inferiores a 30 nanomoles por litro (nmol / L) foram considerados deficientes. Aqueles entre 30 a 50 nmol / L foram considerados insuficientes e os níveis superiores ou iguais a 50 nmol / L foram considerados suficientes.
 
Os participantes foram divididos em cinco grupos de acordo com o nível de vitamina D. No extremo inferior encontrava-se o grupo com níveis menores que 21 nmol / L e no extremo superior o grupo com níveis maiores ou iguais a 49 nmol / L. O grupo inferior era constituído por 136 pacientes com esclerose múltipla e 193 sem a doença. O grupo superior incluía 89 pacientes com esclerose múltipla e 198 indivíduos saudáveis.
 
O estudo apurou que os indivíduos incluídos no grupo superior pareciam ser 47% menos prováveis de desenvolver a esclerose múltipla mais tarde na vida, comparativamente com aqueles incluídos no grupo inferior. O risco de esclerose múltipla também pareceu diminuir com o aumento dos níveis de vitamina D. De fato, por cada aumento de 25 nanomole por litro desta vitamina, o risco de esclerose múltipla diminuía 30%.
 
Os investigadores defendem que estes resultados ajudam a confirmar o papel protetor da vitamina D no desenvolvimento da esclerose múltipla, sugerindo também que a deficiência desta vitamina no útero pode influenciar o risco da doença.
 
Nete Munk Nielsen, um dos investigadores, refere que são necessários mais estudos para confirmar estes achados, no entanto tendo em conta a elevada percentagem de mulheres grávidas que têm níveis baixo de vitamina, estes resultados fornecem informações importantes sobre o debate em curso sobre a toma de suplementos de vitamina D pelas mulheres grávidas. 
 
O cientista refere ainda que o estudo não demonstra que o aumento da vitamina D reduz diretamente o risco de esclerose múltipla, apenas indica que há uma relação.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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