Tratamento do hipertiroidismo associado a morte por cancro

Estudo publicado na “JAMA Internal Medicine”

24 julho 2019
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Investigadores do Instituto Nacional do Cancro, EUA, associaram a toma de iodo radioativo, que é usado no tratamento para o hipertiroidismo, ao desenvolvimento de cancros sólidos a longo prazo, tais como cancro da mama.
 
Cari Kitahara, autora sénior do estudo, refere que foi estimado que “por cada 1.000 pacientes tratados com as atuais doses padrão, cerca de 20 a 30 mortes adicionais por cancros sólidos acontecerão como resultado da exposição à radiação”.
 
Para a investigação, foi utilizada uma coorte de pessoas com hipertiroidismo e que foram tratadas com radiação entre 1946 e 1964, e que foram participantes num estudo de acompanhamento.
 
Nesta nova análise a quase 19.000 pessoas do primeiro estudo que tomaram iodo radioativo e não tinham histórico de cancro, os investigadores utilizaram um método abrangente para calcular a quantidade de radiação em cada órgão e tecido.
 
A maioria da radiação é absorvida pela glândula da tiroide, mas outros órgãos também estão expostos durante o tratamento. Assim, os investigadores associaram a dose absorvida por cada órgão à mortalidade por cancro nesse órgão.
 
Nas mulheres esta relação foi estatisticamente relevante para o cancro da mama, em que cada 100 miligramas por dose levou a um risco 12% maior de mortalidade, comparando com outros cancros cujo risco de mortalidade era de 5% por cada 100 miligramas.
 
Nos EUA, 1,2% da população sofre de hipertiroidismo, tendo as mulheres mais probabilidade de a desenvolver do que os homens. Kitahara realça a importância desta descoberta para as mulheres que estão a ser submetidas a este tipo de tratamento.
 
Os investigadores relembram que são necessários mais estudos, de maneira a melhor se compreender e medir os riscos e benefícios deste tipo de tratamento.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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