Sono irregular aumenta risco de obesidade nos rapazes

Estudo conduzido pela Universidade de Coimbra

19 abril 2018
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As crianças do sexo masculino com maus hábitos de sono apresentam “risco muito elevado de obesidade”, revela um estudo desenvolvido por investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), ao qual a agência Lusa teve acesso.
 
Com base nas recomendações da Academia Americana de Pediatria (2016), que estabelece a duração adequada de sono entre nove e 12 horas por noite para as crianças dos seis aos 12 anos, a investigação, visou analisar “a relação entre os hábitos de sono irregulares” (mais ou menos tempo que o recomendado) e “o risco de excesso de peso e obesidade na população pediátrica portuguesa”.
 
Os investigadores estudaram os hábitos de sono de 8.273 crianças (4.183 do sexo feminino) com idades entre os seis e os nove anos, bem como “a atividade física e os comportamentos sedentários, através de questionários preenchidos pelos pais”, revela a Universidade de Coimbra (UC).
 
As associações entre os hábitos de sono e o risco de excesso de peso e obesidade para meninos e meninas foram realizadas separadamente.
 
“Os rapazes que apresentavam hábitos de sono irregulares para a sua idade, isto é, quer abaixo das nove horas/noite, quer acima das 12 horas/noite, durante a semana, têm 128% maior probabilidade de serem classificados como crianças com excesso de peso comparativamente com aqueles que dormiam as horas recomendadas”, afirma o investigador Aristides Machado-Rodrigues.
 
Curiosamente, mas tal como em alguns estudos anteriores, entre as raparigas, “não houve associações significativas entre a duração do sono e o risco de obesidade, nem nos dias da semana nem durante o fim de semana”, refere ainda o investigador.
 
Aristides Machado-Rodrigues sustenta que “o cumprimento dos hábitos de sono recomendados na infância” é “um aspeto crucial da saúde cognitiva e do desenvolvimento harmonioso das crianças”. O investigador enfatiza que “os pais devem reforçar as regras familiares da ‘hora de deitar’ das crianças para que estas possam ter o tempo de sono diário recomendado para a saúde”.
 
“A literatura sustenta, de forma inequívoca, que a privação do sono, especialmente em idades pediátricas, está associada a problemas de saúde aumentados, não só de índole cognitivo, mas especialmente relacionados com a diminuição da tolerância à glicose, o qual é um fator de risco para a obesidade”, salienta o investigador.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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