Saúde dos migrantes é boa, mas tende a deteriorar em Portugal

Estudo do Instituto de Higiene e Medicina Tropical

09 junho 2017
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A saúde dos migrantes é boa quando chegam e “tende a piorar com o aumento do tempo” da sua estadia em Portugal, segundo uma investigação do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).
 
Segundo apurou a agência Lusa, o estudo, intitulado “Os migrantes são um risco para a população dos países de acolhimento?”, foi coordenado por Sónia Dias, professora do IHMT.
 
As conclusões do estudo mostram que “os migrantes quando chegam a Portugal reportam um bom estado de saúde”.
 
Os migrantes “tendem muitas vezes a apresentar até melhor estado de saúde do que os nacionais”, o que contraria “a ideia, muitas vezes socialmente preconcebida, de que os imigrantes que chegam são uma ameaça à saúde das populações de acolhimento e um peso para os serviços de saúde”.
 
A investigação cita dados do último Inquérito Nacional de Saúde, segundo o qual 65% dos migrantes reporta um bom estado de saúde, em contraste com 43% dos portugueses. Dados semelhantes são encontrados na área da saúde mental e doença crónica.
 
O estudo do IHMT revela ainda que “o estado de saúde dos migrantes varia com o tempo de residência, ou seja, o estado de saúde tende a piorar com o aumento do tempo em Portugal”.
 
Os subgrupos socialmente mais vulneráveis, com baixo nível educacional e baixo rendimento, são os que apresentam piores indicadores de saúde. São também estes grupos que menos acede aos serviços, “o que contribui para a acumulação de vulnerabilidades e maior probabilidade de adoecer”.
 
Segundo a investigação, a maioria dos participantes (52%) do estudo nunca tinha realizado o teste do VIH antes e, entre os que apresentaram positividade para o vírus, quase 35% não tinham conhecimento de que eram portadores da infeção.
 
Por esta razão, os autores alertam para “a necessidade de melhorar o acesso a serviços de saúde, incluindo na área da saúde sexual e aumentar a cobertura do teste para o VIH na população imigrante”.
 
Para Sónia Dias, “mais do que considerar os migrantes como uma população de risco, é necessário entender o que faz com que alguns grupos sejam uma população vulnerável e as razões que contribuem para que ao longo do tempo estes migrantes adoeçam mais”.
 
Dados do estudo indicam que “populações migrantes, oriundas de países de baixa e média renda, ao longo do tempo em Portugal, estão desproporcionalmente mais vulneráveis a doenças infeciosas, como o VIH e tuberculose, além de problemas de saúde mental”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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