Psoríase: resposta inflamatória aumenta risco de trombose

Estudos da Universidade Case Western Reserve

13 dezembro 2016
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Investigadores americanos descobriram como a resposta inflamatória à psoríase pode alterar várias moléculas do sistema imunitário, aumentando o risco de trombose, revelam dois estudos publicados no “Journal of Clinical Investigation Insight” e no “Journal of Investigative Dermatology”.
 
Uma vez que os pacientes com psoríase têm níveis elevados de interleuquina-6 (IL-6) na pele, os investigadores da Universidade Case Western Reserve, nos EUA, decidiram averiguar se esta interleuquina poderia ser a causa da doença ou das comorbidades cardiovasculares. 
 
Os pacientes com insuficiência cardíaca congestiva também têm níveis sanguíneos elevados da IL-6. Esta molécula é conhecida por desencadear respostas imunitárias hiperativas na pele, como a que causa a produção excessiva de células da pele durante a psoríase.
 
Em ensaios clínicos para a psoríase verificou-se que a inibição da IL-6 não melhorava a aparência da pele, conduzindo mesmo ao aparecimento espontâneo da psoríase em indivíduos que anteriormente não tinham doença.
 
No estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation Insight”, os investigadores focaram-se numa proteína, a MRP14, que tem sido utilizada para prever o risco de enfarte agudo do miocárdio em determinadas populações. Os indivíduos com doenças autoimunes como a psoríase têm níveis elevados de MRP14 no sangue e o gene que codifica para a MRP14 está localizado perto dos genes da psoríase.
 
De forma a tentar perceber se este gene poderia contribuir tanto para a inflamação da pele como para as comorbidades cardiovasculares associadas à psoríase, os investigadores eliminaram o gene que codifica para a proteína MRP14 nos ratinhos com psoríase. Contudo, não foram observados quaisquer efeitos na inflamação da pele ou nas comorbidades cardiovasculares. 
 
O estudo apurou que os ratinhos com psoríase deficientes na MRP14 continuavam a apresentar níveis elevados de IL-6 na pele, bem como de outras duas moléculas pró-inflamatórias a IL-23 e a IL-17. Na opinião de Nicole Ward, uma das autoras do estudo, a IL-23 e a IL-17 podem fazer parte de um mecanismo de "solução alternativa" que compensa a falta de MRP14 e mantém a inflamação da pele.
 
Quando estas moléculas foram bloqueadas nos ratinhos geneticamente modificados, a inflamação e a trombose desapareceram. Adicionalmente verificou-se que os níveis da IL-6 diminuíram. Uma vez que os níveis da IL-6 foram diminuídos indiretamente, os cientistas decidiram investigar o que aconteceria nos animais com psoríase quando esta interleuquina fosse eliminada.
 
Assim após terem desenvolvidos ratinhos que não expressavam o gene que codificava para a IL-6, os investigadores demonstraram que nestes animais a trombose desaparecia, mas continuavam a apresentar inflamação associada à psoríase.
 
No estudo publicado no “Journal of Investigative Dermatology”, a mesma equipa de investigadores apurou que a deleção genética da IL-6 tinha impacto em várias moléculas do sistema imunitário. 
 
Os cientistas ficaram surpresos ao terem verificado que um aumento dos níveis de outras moléculas pró-inflamatórias que estão envolvidos na sustentação da inflamação da pele. É possível que estes fatores também estejam aumentados na pele dos pacientes com psoríase e expliquem por que motivo não respondem ao bloqueio da IL-6. Tal como tinha acontecido noutras experiências, o sistema imunológico utilizou um mecanismo compensatório para sustentar a inflamação da pele nos ratinhos deficientes na IL-6. 
 
Os autores concluíram que, apesar do bloqueio da IL-6 não impedir a psoríase, os níveis desta interleuquina são importantes nos eventos de trombose desencadeados pela inflamação da pele. Na sua opinião, estes achados podem conduzir ao desenvolvimento de novos tratamentos para diminuir o risco de doença nos indivíduos com psoríase.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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