Primeira consulta para tratamento da hepatite C fora dos hospitais abriu em Lisboa

Iniciativa do GAT

24 janeiro 2019
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Os antigos e atuais utilizadores de droga já têm uma consulta para tratamento da hepatite C fora dos hospitais, uma iniciativa do Grupo de Ativistas em Tratamento (GAT) que pretende aproximar esta população dos cuidados de saúde.
 
Trata-se da “primeira consulta comunitária descentralizada em Portugal de tratamento da hepatite C destinada a pessoas que usam ou usaram drogas” que vão poder fazer o tratamento fora do ambiente hospitalar, “potenciando a cura da hepatite C”, segundo o GAT.
 
A consulta comunitária, que abriu portas num novo espaço do centro de rastreio comunitário IN-Mouraria, em Lisboa, resulta de uma parceria com o Serviço de Gastroenterologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN) e tem como objetivo tratar pessoas que “têm vidas difíceis” e “não se sentem bem nos hospitais”, disse à agência Lusa o presidente do GAT, Luís Mendão.
 
“As pessoas ali vão ter médico, fazer as colheitas para as análises” e fazer exames para avaliar o estado do fígado “sem necessidade de se deslocarem ao hospital”, disse Luís Mendão, considerando esta iniciativa uma “contribuição para uma boa saúde pública”.
 
“Pensamos que assim vamos conseguir tratar e curar a maior parte das pessoas desta população que vive com hepatite C”, afirmou o presidente do GAT, que tem esperança que sejam tratadas 200 pessoas no primeiro ano da consulta. "No entanto, já ficamos com um bom objetivo se chegarmos a 100 pessoas".
 
O diretor do Serviço de Gastrenterologia do CHLC, Rui Tato Marinho, que faz parte da equipa interdisciplinar, salientou a importância desta iniciativa para os doentes, mas também para os profissionais de saúde.
 
“É aproximar o especialista da comunidade, ser útil à comunidade”, disse à Lusa o hepatologista, afirmando que o “hospital é muitas vezes um sítio inóspito”, sendo difícil para algumas pessoas lá irem.
 
Há algumas comunidades, como utilizadores de drogas ou imigrantes, que têm dificuldades até em pagar os transportes para se deslocar “quatro ou cinco vezes ao hospital", umas vezes para fazer análises, outras para realizar exames, ir à consulta e "esperar horas” e “queríamos simplificar isso”, disse Rui Tato Marinho.
 
Com a deslocação da equipa de profissionais de saúde ao terreno consegue-se “fazer muito e ajudar muita gente em pouco tempo”, afirmou o especialista.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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