Infeções hospitalares por bactérias multirresistentes matam três doentes por dia

Considerações do médico Paulo André Fernandes

28 junho 2018
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As infeções hospitalares por bactérias multirresistentes causam três mortes por dia em Portugal, ou mais de 1.100 por ano, estimou um especialista, salientando que este problema deve preocupar todos, dos profissionais aos utentes.
 
Paulo André Fernandes, do centro hospitalar Barreiro-Montijo, falava à agência Lusa sobre este tema, transmitindo preocupação já que o problema das bactérias resistentes aos antibióticos, nas suas principais facetas, "continua a agravar-se".
 
A má utilização dos antibióticos, nomeadamente para situações em que não são necessários ou não são os mais indicados para a doença em causa, levou a que as bactérias fiquem mais resistentes, mais fortes, reduzindo as soluções eficazes para resolver estas infeções.
 
"Estamos a tratar muitas situações de infeção com antibióticos antigos que tínhamos deixado de usar porque são tóxicos, imprevisíveis no seu efeito e na sua ação", referiu Paulo André Fernandes.
 
No entanto, já existem "novos antibióticos menos tóxicos, mais previsíveis e mais eficazes e precisamos que sejam libertados [em Portugal], como já aconteceu em toda a Europa e em grande parte do mundo civilizado", acrescentou.
 
É nos hospitais que "estão os agentes mais resistentes e que provocam infeções mais graves, mas é um problema transversal, incide sobre o hospital como incide na comunidade, incide sobre os mais velhos como sobre as crianças, portanto é um problema que diz respeito à comunidade em geral", realçou o médico.
 
Grande parte das pessoas internadas nos hospitais têm doenças que diminuem a sua imunidade como é o caso dos doentes submetidos a quimioterapia ou a cirurgias muito agressivas, os internados em medicina intensiva ou os bebés “grandes prematuros”.
 
Estas situações colocam os doentes internados no hospital "em situação de particular risco para estas infeções mais graves, [mas] não quer dizer que todos as contraiam", disse ainda Paulo André Fernandes. Recordou que a resistência aos antibióticos já é discutida a nível internacional pelos altos responsáveis políticos, encarado como um problema de saúde pública e económico.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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