Dieta pobre em glúten em pessoas saudáveis: sim ou não?

Estudo publicado na “Nature Communications”

27 novembro 2018
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Uma equipa de investigadores demonstrou que o impacto positivo de uma dieta com pouco glúten não é devido, maioritariamente, à ausência do próprio glúten.
 
Num estudo conduzido pela equipa da Faculdade de Saúde e de Ciências Médicas da Universidade de Copenhaga, Dinamarca, foi observado que os benefícios daquele tipo de alimentação, nomeadamente a redução do desconforto intestinal e uma pequena perda de peso, estão associados principalmente à alteração na composição das fibras alimentares.
 
Com efeito, a equipa liderada por Oluf Pederson, descobriu que uma alimentação pobre em glúten, mas rica em fibra, induz alterações na estrutura e função do complexo microbioma intestinal, diminuindo assim o desconforto intestinal, como inchaço, e o peso.
 
Os investigadores conduziram duas intervenções de oito semanas cada, que pretendiam comparar o efeito de uma dieta pobre em glúten com o efeito de uma dieta rica em glúten. Para o efeito, a equipa contou com a participação de 60 voluntários de meia-idade.
 
Os voluntários foram submetidos a dois tipos de alimentação: uma dieta pobre em glúten, que incluía dois gramas de glúten por dia, e uma dieta rica em glúten, que continha 18 gramas de glúten diários. Entre ambas as dietas, os participantes tiveram um espaçamento de pelo menos seis semanas em que seguiram a dieta habitual, com 12 gramas de glúten por dia.
 
Os dois tipos de alimentação eram equilibrados em quantidade de calorias e nutrientes, que incluía a quantidade de fibra alimentar. No entanto, a composição da fibra era bastante diferente entre ambas as dietas. 
 
Como resultado, a equipa concluiu que os efeitos da dieta pobre em glúten, em pessoas saudáveis, poderão não ser devidos primeiramente ao consumo de glúten, mas sim à alteração da composição da fibra alimentar: redução nas fibras de trigo e cevada, que foram substituídas por fibras de produtos hortícolas, arroz integral, milho, aveia e quinoa. 
 
“A maioria dos alimentos sem glúten disponíveis no mercado atualmente são grandemente desprovidos de fibras alimentares e de ingredientes nutricionais naturais. Assim, há uma necessidade real de produtos alimentares sem glúten de alta qualidade nutricional, enriquecidos com fibra, que sejam frescos ou minimamente processados para os consumidores que prefiram uma dieta pobre em glúten”, comentou Oluf Pederson, lembrando que estas iniciativas irão ajudar a aliviar o desconforto gastrointestinal e ajudar no controlo de peso.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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