Descoberto mecanismo que suprime os sinais de saciedade do intestino delgado

Descoberta publicada na revista “BMJ – Gut”

16 dezembro 2019
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Um estudo realizado por investigadores da Academia Sahlgrenska, Universidade de Gotemburgo, descobriu o mecanismo que suprime os sinais de saciedade do intestino delgado e como o “bypass” gástrico contorna este problema.
 
Os investigadores estudaram a membrana mucosa do intestino delgado em pacientes em pós-operatório de cirurgia bariátrica, de ratos e de culturas de células, e focaram-se na hormona intestinal peptídeo tipo glucagon (GLP-1) responsável por comunicar ao cérebro a saciedade.
 
Por razões desconhecidas, a libertação da hormona GLP-1 e outras semelhantes é inibida em pessoas obesas e com diabetes tipo 2, o que explicará as doenças.
 
Os investigadores descobriram que a culpada desta inibição é a enzima mHMGCS (sintase mitocondrial 3-hydroxy-3methylglutaryl-CoA) que despoleta a formação de corpos cetónicos para a membrana mucosa do intestino, o que por sua vez abranda a libertação da GLP-1 pelas células produtoras de hormonas como resposta às refeições.
 
Em ratos observou-se que o processo é dependente da dieta, sendo que os animais com uma dieta rica em gordura tinham uma grande produção da enzima, acompanhada de elevada produção de corpos cetónicos, o que se revelou ser, de facto, a causa da inibição da libertação de GLP-1.
 
De seguida, os investigadores descobriram por que razão nos pacientes sujeitos a cirurgia bariátrica existe uma inversão em que os níveis de GLP-1 voltam ao normal em pouco tempo.
 
Com a cirurgia a comida entra diretamente para o jejuno, não passando pelo estômago e assim não se misturando com enzimas pancreáticas e biliares, precursoras da formação de cetonas. 
 
“As pré-condições para a enzima que despoleta a produção de cetonas simplesmente desaparecem”, explica Ville Wallenius, autor principal.
 
Este estudo abrirá caminho a novas formas de tratamento que, em vez de injetarem cópias da GLP-1, aumentem a sua produção natural ao inibir farmacologicamente a enzima mHMGCS no intestino.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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