Descoberto mecanismo que aumenta agressividade de células tumorais no estômago

Estudo conduzido pelo i3S/Ipatimup

06 fevereiro 2019
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Um grupo de investigadores portugueses identificou um mecanismo que leva a um comportamento mais agressivo das células tumorais relacionadas com o cancro do estômago, revelou à Lusa um dos cientistas envolvidos no trabalho.
 
O estudo, desenvolvido pelos investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), e recentemente publicado na revista EBioMedicine, teve como principal objetivo “compreender o efeito das alterações dos glicanos [estruturas de hidratos de carbono complexas] no cancro”.
 
“Estas alterações dos glicanos eram conhecidas por ocorrerem nas células tumorais, mas a razão desta expressão aberrante nos tumores e o papel funcional destas alterações não eram compreendidas”, contou à Lusa Celso Reis do i3S/Ipatimup e responsável pelo estudo.
 
Segundo o investigador, os resultados obtidos permitiram assim identificar que o “mecanismo molecular” pode induzir as células tumorais a “serem mais agressivas, causando a progressão da doença e influenciado o prognóstico clínico dos doentes”.
 
“Percebemos que, de facto, esta alteração da glicosilação modifica e ativa determinadas vias de sinalização e expressão de determinados genes das células que induzem um comportamento agressivo das células tumorais do cancro do estômago”, contou o investigador, a propósito do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro.
 
De acordo com Celso Reis, o conhecimento destes mecanismos pode permitir a melhoria da “estratificação dos doentes” através de terapias dirigidas e fármacos inovadores, assim como “contribuir para o desenvolvimento de fármacos mais eficientes” no tratamento do cancro.
 
“Se soubermos quais são os cancros com estas características podemos tratar melhor estes casos. Nos casos em que o “arsenal” terapêutico não é o mais eficiente, podemos identificar e desenvolver novas estratégias para atingir estes novos alvos terapêuticos”, frisou.
 
A equipa do i3S, que tem vindo a analisar os principais mecanismos e funções desempenhadas pela glicosilação cancerígena, está neste momento a desenvolver “novas estratégias”, assim como fármacos que permitam auxiliar no tratamento de doentes com cancro no estômago.
 
“No caso do cancro do estômago, já existem alguns marcadores, mas existe um subgrupo substancial que, quando é detetado, já se encontra numa fase avançada e no qual os fármacos não funcionam. É necessário, por isso, perceber porque é que não são adequados, mas também é preciso desenvolver novos”, acrescentou.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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