Confirma-se: alimentos ultraprocessados estão associados a risco cardíaco e morte

Estudo publicado na “BMJ”

03 junho 2019
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À semelhança de estudos anteriores, o consumo de alimentos altamente processados (ultraprocessados) foi associado ao risco de doenças cardiovasculares e morte em dois estudos europeus.
 
Embora os estudos não tenham estabelecido uma associação de causa e efeito, os investigadores apelam para que se promova o consumo de alimentos frescos ou minimamente processados, em vez de alimentos altamente processados.
 
Os alimentos ultraprocessados incluem refrigerantes, cereais com açúcar, bolachas, bolos e biscoitos empacotados, refeições pré-cozinhadas com aditivos, sopas desidratadas e produtos com carne e peixe reconstituídos. Estes alimentos normalmente contêm elevadas quantidades de açúcar, sal e/ou gordura e são pobres em fibras e vitaminas.
 
Para o primeiro estudo, investigadores de França e Brasil avaliaram as potenciais associações entre os alimentos ultraprocessados e o risco cardiovascular e cerebrovascular. A equipa contou com a participação de 105.159 adultos franceses (21% homens e 79% mulheres), com uma média de idades de 43 anos.
 
Os participantes completaram questionários que mediam o consumo de 3.300 produtos alimentares. Os produtos foram agrupados segundo o seu grau de processamento e os índices de doenças foram medidos durante um máximo de 10 anos.
 
Como resultado, o aumento absoluto de 10% na proporção de alimentos ultraprocessados na dieta foi associado a índices significativamente superiores de doenças cardiovasculares, coronárias e cerebrovasculares (aumento de 12%, 13% e 11%, respetivamente). O consumo de alimentos não processados ou minimamente processados foi associado a um menor risco daquelas doenças.
 
Para o segundo estudo, investigadores espanhóis avaliaram as possíveis associações entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o risco de morte por todas as causas. A equipa contou com a participação de 19.889 adultos (7.786 homens e 12.113 mulheres), com uma média de idades de 38 anos.
 
Os participantes responderam a um questionário alimentar com 136 itens. Os alimentos foram agrupados segundo o seu grau de processamento e o índice de mortalidade foi medido durante uma média de 10 anos.
 
A equipa apurou que um consumo mais elevado de alimentos ultraprocessados (mais de quatro porções diárias) foi associado a um aumento de 62% no risco de morte por todas as causas, em relação a um consumo inferior (menos de duas porções por dia). Cada porção diária adicional de alimentos ultraprocessados foi associada a um aumento relativo de 18% no risco de morte.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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