Canábis medicinal melhora sintomas em crianças autistas

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

05 fevereiro 2019
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Um novo estudo demonstrou que o tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em crianças com canábis medicinal pode ser bem tolerado, eficaz e seguro.
 
Conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade Ben-Gurion do Neguev e da Faculdade de Medicina da Universidade de Soroka, ambas em Israel, o estudo resultou numa melhoria dos sintomas do TEA, como tiques, depressão, convulsões, ataques de fúria e agitação.
 
“De forma geral, mais de 80 por cento dos pais relataram uma melhoria significativa ou moderada no seu filho”, confirmou Lihi Bar-Lev Schleider, coautora do estudo.
 
Para a sua investigação, a equipa analisou dados recolhidos de um programa de tratamento de 188 pacientes com TEA que tinham recebido tratamento com canábis medicinal entre 2015 e 2017.
 
A maioria dos pacientes recebeu um tratamento baseado em óleo de canábis com 30% de  canabidiol e 1,5% de tetrahidrocanabinol. O efeito do tratamento foi avaliado seis meses após o seu início, através de questionários estruturados.
 
De forma geral, seis meses após o tratamento 30% dos pacientes relatavam melhorias significativas, 53,7% referiam melhorias moderadas e apenas 15% apresentavam uma pequena ou nenhuma melhoria.
 
Antes do início do tratamento, 31,3% dos pacientes relatavam ter uma boa qualidade vida, uma percentagem que mais que duplicou para 66,8% após seis meses de tratamento com canábis. O estado de espírito dos pacientes também melhorou com o tratamento: antes de iniciar, 42% diziam sentir-se animados contra 63,5% após seis meses de tratamento. 
 
A capacidade de tomarem banho e vestirem-se de forma independente também melhorou consideravelmente com o tratamento. Antes do tratamento, apenas 26,4% dos participantes diziam não sentir dificuldades com aquelas tarefas; seis meses após terem iniciado o tratamento, 42,9% diziam conseguir tomar banho e vestir-se sozinhos.
 
Finalmente, o sono e a capacidade de concentração também melhoraram com a canábis, tendo passado de 3,3% e 0%, respetivamente, para 24,7% e 14%, respetivamente, durante o tratamento ativo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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