Arranca projeto europeu para prevenir obesidade infantil

Projeto com a participação da Universidade do Porto

07 junho 2018
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Investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) estão a participar num estudo europeu, para identificar a obesidade infantil na Europa e testar as melhores abordagens para a sua prevenção, divulgou a agência Lusa.
 
"Se a atual onda de obesidade infantil não for interrompida, até 2025 mais de um em cada três adultos será obeso em alguns países europeus", indicou o ISPUP.
 
Esta previsão resulta de dados obtidos nas últimas décadas, sendo importante "modificar essa tendência, que pode levar a uma situação paradoxal: pela primeira vez, praticamente ao fim de um século, a esperança de vida da geração dos filhos pode ser inferior à dos pais", disse à agência Lusa o investigador do ISPUP Henrique Barros.
 
Através do projeto STOP (Science and Technology in childhood Obesity Policy), os investigadores vão procurar avaliar a obesidade em várias idades da vida, em cerca de 40 mil indivíduos, com atenção particular a crianças até aos 12 anos, adiantou.
 
"Isso inclui melhorar a compreensão de como o ambiente em que se vive molda o comportamento das crianças e as escolhas dos pais, desde antes do nascimento", de forma a verificar "os primeiros sinais de mudanças biológicas que podem levar à obesidade", segundo a nota do ISPUP.
 
O projeto, que tem a duração de quatro anos, avaliará, entre outros, a possibilidade de os governos europeus usarem alavancas - como impostos, rótulos nutricionais e restrições de comercialização de alimentos e bebidas - para combater a obesidade infantil.
 
De acordo com o Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF 2015-2016), em indivíduos entre os 3 meses e os 84 anos, a prevalência nacional de pré-obesidade é de 34,8% e de obesidade de 22,3%.
 
"Isso significa que seis em cada dez portugueses (60% da população) são pré-obesos ou obesos", havendo um "aumento gradual da obesidade ao longo da idade", notou Henrique Barros.
 
Segundo o responsável, "a realidade é já alarmante na população infantil", estimando-se que 25% das crianças com menos de 10 anos e 32,3% dos adolescentes (entre os 10 e os 17 anos) possuam critérios de obesidade ou pré-obesidade, "o que reforça a necessidade de estratégias de prevenção primária de obesidade, em fases precoces da vida".
 
Em 2016, acrescentou, "a obesidade posicionava-se como o 6.º fator de risco para mortalidade total e o 4º fator responsável por mais anos totais de vida saudável perdidos (11,5%) em Portugal”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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