ALERT exporta medicina sem papel
27 julho 2010
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A empresa tecnológica portuguesa instalou em hospitais de 28 países uma nova forma de fazer medicina.
A ALERT é atualmente um importante fator de dinamização do turismo de negócios na região do Porto. Esta empresa de base tecnológica já recebeu cerca de 150 delegações (constituídas por 20 pessoas em média) de 28 países na sede, em Vila Nova de Gaia. Os visitantes, incluindo quatro Ministros da Saúde estrangeiros (o último foi da Arábia Saudita), queriam ver como é possível criar um sistema de informação sem papel para os hospitais.
Além de uma visita aos sete andares da moderna instalação da ALERT – que tem uma vista magnífica para a foz do Douro -, Jorge Guimarães, fundador e presidente da ALERT, e o seu irmão César Guimarães, o CEO, levaram as delegações estrangeiras para visitar também um dos hospitais portugueses que já adotaram o sistema de informação sem papéis, como Évora e o Complexo Hospitalar do Médio Ave. "É importante que os nossos visitantes entendam o que acontece aqui e também vejam um produto complexo funcionando no mundo real", afirma Jorge Guimarães, referindo que a adoção do ALERT® PAPER FREE HOSPITAL "exige grandes mudanças nos hospitais". Como conseqüência, "implica muita ponderação dos tomadores de decisão. Não é o mesmo que adquirir um consumível", destacou.
Começando pelo centro de demonstrações onde assistem vários aspectos da suíte ALERT de software para hospitais e centros de saúde, as delegações são levadas para o laboratório, passando pelas diversas áreas da empresa, tais como o design de produtos e a fábrica de software. A visita termina no centro de suporte. "No final eles compreendem a excelência do suporte pós-venda que oferecemos aos nossos clientes em qualquer lugar do mundo", diz César Guimarães.
Devido a este consistente método de venda a empresa conquistou importantes negócios em 28 países, incluindo mercados sofisticados como o Reino Unido ou a Holanda – o último com o produto presente em dois dos seus principais hospitais locais (mais de 1.000 leitos). "Nossos produtos são utilizados atualmente por 55 mil profissionais em 12 mil instituições de saúde", mencionou Jorge Guimarães. "Exportamos uma nova forma de fazer medicina e temos a consciência de estar resolvendo questões nunca solucionadas e de estar melhorando a imagem do país", acrescentou.
Além disso, a ALERT está aumentando cada vez mais a sua quota de exportação. "Em 2008 61% do nosso faturamento veio das exportações, e no ano passado alcançamos dois terços do valor das exportações (67%)", afirmou Jorge Guimarães. Neste momento a estratégia é aumentar as vendas nos mercados onde tem subsidiárias – Espanha, Holanda, França, Reino Unido, Brasil, Estados Unidos, Singapura e Dubai – ou nos 30 países onde existem distribuidores. Apesar da abordagem de novos mercados acontecer em uma segunda fase, já existem versões do ALERT® em chinês, japonês  e russo.

Terceiro grande contrato na Itália
A ALERT assinou um importante contrato para a instalação do software (sem papel) em dois hospitais da região de Veneto
A ALERT acaba de assinar o terceiro contrato na Itália, o que pemitirá a eliminação do papel em duas unidades de saúde na região de Veneto, que tem 1.000 leitos. Este negócio contribui para que a empresa portuguesa retome a média de crescimento acelerado dos últimos quatro anos (64% ao ano).
Em 2009, a ALERT cresceu "apenas" 17% devido a demora "na tomada de decisões", mas não chegou a conhecer o significado da palavra crise. Para os próximos anos, César Guimarães, o CEO da empresa, prevê um crescimento maior que deverá continuar sendo sustentado com recursos próprios. "Temos uma disciplina na apresentação de resultados e criamos procedimentos internos de acordo com as melhores práticas internacionais", mencionou César Guimarães. O gestor não nega a hipótese da empresa (que é detida 100% com o seu irmão Jorge), "ter necessidade de recorrer a outras formas de financiamento". Mas considera "muito cedo para pensar em entrar no mercado de ações o que pode ocorrer mais tarde quando a internacionalização justificá-lo".
Fundada em 1999 por iniciativa de Jorge Guimarães – médico de 42 anos com formação nos Estados Unidos – a ALERT começou como um portal na internet de apoio à saúde dos cidadãos. A ideia de criar um sistema de informação sem papel para os hospitais surgiu quando, em uma visita a um hospital público do Porto, Jorge Guimarães percebeu o volume de papel que circula em um hospital. Ele deu vida a sua ideia com o irmão César – formado em Economia – e criou uma equipe de programadores informáticos que desenvolveram as primeiras aplicações de gestão hospitalar. Em 2001, a ALERT já era rentável e começava a crescer vertiginosamente.
Um dos segredos do sucesso da ALERT tem sido a adesão dos médicos e enfermeiros ao hospital sem papel, tarefa que é assegurada por colaboradores da empresa (muitos são psicólogos), que apoiam esses profissionais de saúde durante os primeiros meses de implementação do software no hospital.
Atualmente a ALERT tem 630 colaboradores com formação superior (bacharelado, mestrado e doutorado) em bioquímica, famácia, medicina, psicologia, enfermagem, matemática, engenharia, arquitetura, entre outras... "Os colaboradores portugueses estão entre os melhores do mundo", garante Jorge Guimarães J.R.

26 Maio 2010
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